6 de Agosto de 2008 / às 15:17 / 9 anos atrás

Militares da Mauritânia detêm presidente e tomam o poder

Por Vincent Fertey e Ibrahima Sylla

NUAKCHOTT, Mauritânia (Reuters) - Soldados da Mauritânia, país islâmico do noroeste da África, derrubaram do poder, na quarta-feira, o presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi e anunciaram a formação de um conselho dirigente liderado por militares.

Os soldados capturaram o presidente em seu palácio depois de ele ter substituído oficiais de alta patente da hierarquia militar em meio a uma crise política instalada nesse país, um dos mais novos produtores de petróleo do continente e o qual extrai também ferro, cobre e ouro.

"Os agentes de segurança do Basep (Batalhão de Segurança Presidencial) vieram até a nossa casa por volta das 9h20 (6h20 em Brasília) e levaram meu pai embora", disse à Reuters Amal Mint Cheikh Abdallahi, filha do presidente.

A União Africana (UA) condenou o golpe e exigiu a reinstalação do governo constitucional.

Um "Conselho de Estado" liderado por um dos oficiais afastados, Mohamed Ould Abdelaziz, chefe do Basep, disse que Abdallahi era agora um "ex-presidente" e anulou o decreto anterior que determinava as substituições --entre os afetados estavam o próprio Abdelaziz e o chefe do Exército.

O comunicado, descrito como sendo a "Declaração No. 1" do Conselho, foi divulgado por TVs árabes do golfo Pérsico.

Abdallahi foi eleito no ano passado e tomou posse no lugar de uma junta militar que havia tirado do poder o presidente autocrático Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, em um golpe pacífico realizado em 2005.

A TV e a rádio estatais, com sede em Nuakchott, deixaram de realizar suas transmissões quando os soldados cercaram os prédios do governo.

"Nós estamos sendo mantidos dentro de casa e estamos proibidos de sair daqui. Há guardas na cozinha, nos quartos, e até mesmo nos chuveiros. As linhas de telefone foram cortadas. Isso é, com certeza, um golpe", afirmou a filha de Abdallahi.

Uma integrante da Presidência que não quis ter sua identidade revelada disse que o presidente e o ministro do Interior haviam sido detidos e levados para um local desconhecido.

Os soldados prenderam também os oficiais das Forças Armadas que Abdallahi havia nomeado, na quarta-feira de manhã, para substituir os oficiais afastados, afirmou a rede de TV Arabyia.

Não houve, por enquanto, sinais da prática de atos de violência. A bordo de jipes equipados com armas de grosso calibre, soldados montavam guarda do lado de fora de prédios do governo enquanto jovens vestidos com camisetas ou roupas mais tradicionais acenavam alegremente para as câmeras de TV.

Reportagem adicional de Noiselle Champagne em Nuakchott e Inal Ersan em Dubai, Peter Apps em Londres e Ingrid Melander em Bruxelas

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