28 de Fevereiro de 2008 / às 14:42 / 10 anos atrás

No Iraque, presidente do Irã dará mostras de sua influência

Por Edmund Blair

<p>O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, comparece a encontro com o presidente senegal&ecirc;s, Abdoulaye Wade, em Teer&atilde;. Ahmadinejad, realiza no domingo uma hist&oacute;rica viagem ao Iraque a fim de mostrar que seu pa&iacute;s tem voz dentro do jogo pol&iacute;tico iraquiano. Photo by Raheb Homavandi</p>

TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, realiza no domingo uma histórica viagem ao Iraque a fim de mostrar que seu país tem voz dentro do jogo político iraquiano, voz essa que os EUA não podem calar ou ignorar.

A primeira visita de um presidente iraniano ao Iraque desde a Revolução Islâmica de 1979 pretende intensificar os laços comerciais e outros com um país que o Irã enfrentou durante uma guerra de oito anos, na década de 80.

Mas a importância da visita de dois dias, dizem analistas e diplomatas, é que ela ocorre no momento em que os EUA acusam os iranianos de fornecerem armas a milícias que matam soldados norte-americanos. O governo iraniano nega essas acusações.

“O principal ponto será o sucesso de política externa pelo fato de Ahmadinejad ingressar no e sair do Iraque debaixo do nariz dos norte-americanos, no momento em que os EUA falam em isolar o Irã”, disse um diplomata do Ocidente lotado em Teerã.

Em seu país natal, o presidente do Irã receberia de braços abertos um sucesso do tipo, capaz de desviar o foco da economia e da inflação de dois dígitos antes de eleições parlamentares que devem servir como teste para a popularidade dele e de indicativo sobre as chances de Ahmadinejad de ser reeleito em 2009.

Autoridades iranianas forneceram poucas informações sobre a viagem. Já membros do governo iraquiano pediram aos EUA e ao Irã, que cortaram relações diplomáticas há quase três décadas, para não usarem o Iraque como um campo de batalha substituto com vistas a resolverem suas diferenças, entre as quais a polêmica em torno do programa nuclear do país islâmico.

Os EUA tentam fazer com que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprove uma terceira bateria de sanções contra o Irã, que se recusa a suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

Segundo o governo norte-americano, o Irã tenta desenvolver bombas atômicas. O governo iraniano nega.

“A influência do Irã sobre o Iraque é bastante clara”, disse Amir Mohebian, um analista iraniano. “Se os EUA desejam usar a influência do Irã no Iraque para controlar a violência, é melhor que mantenham boas relações ao invés de ficarem repisando a ameaça das sanções.”

O Irã e o Iraque já derem início a negociações sobre questões comerciais, sobre a cooperação nuclear e sobre uma longa disputa em torno da fronteira comum.

A reaproximação tornou-se possível depois de os EUA terem derrubado do poder o ditador iraquiano Saddam Hussein, que iniciou a guerra contra o país vizinho, em 1980.

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