1 de Maio de 2008 / às 14:26 / em 10 anos

Manifestantes chineses mobilizam-se novamente contra Carrefour

Por Ben Blanchard

<p>Manifestante empunha bandeira chinesa em frente a um supermercado Carrefour em Chongqing, China, 1o de maio de 2008. Photo by Stringer Shanghai</p>

PEQUIM (Reuters) - Centenas de chineses realizaram manifestações na frente de lojas da cadeia de supermercados francesa Carrefour, nesta quinta-feira, criticando as campanhas de independência do Tibet e declarando apoio às Olimpíadas de Pequim, disse a agência chinesa de notícias Xinhua.

“Estamos aqui por causa do que aconteceu em Paris, onde houve protestos violentos. Estamos aqui para mostrar que o mundo lá fora não entende a China, que o povo chinês está unido e resoluto, mas, conforme vocês podem ver, não é de nenhuma forma violento”, afirmou um manifestante, que forneceu apenas seu sobrenome, Lan.

O Carrefour tornou-se alvo da indignação dos chineses, enfrentando manifestações de nacionalismo, depois da conturbada passagem da tocha olímpica por Paris, quando manifestantes pró-Tibet tentaram arrancar a tocha de Jin Jing, um atleta deficiente físico que a carregava sentado em uma cadeira de rodas.

A Xinhua afirmou que centenas de manifestantes agitaram bandeiras da China e gritaram palavras de ordem contra o Carrefour e a “independência do Tibet” na frente de lojas da rede francesa localizadas nas cidades de Changsha, Fuzhou, Shenyang e Chongqing.

Em Fuzhou (sul), os manifestantes distribuíram bandeiras chinesas e panfletos.

“Cerca de 400 pessoas estão reunidas na praça para discutir os planos de protesto”, disse a Xinhua a respeito de Fuzhou. “Autoridades da cidade e cerca de 40 policiais chegaram ao local para manter a ordem.”

Em Changsha (sul), cerca de 200 manifestantes “tentaram convencer as pessoas a não realizar compras naquela loja (do Carrefour)”, afirmou a agência de notícias.

Na cidade turística de Xian, onde ficam os Guerreiros de Terracota, cerca de 25 jovens realizaram uma manifestação organizada do lado de fora do Carrefour, exibindo faixas vermelhas nas quais se liam as frases: “Boicotem o Carrefour o quanto antes” e “Boicotem a França”.

O aparato de segurança das lojas de Pequim e de Xangai viu-se intensificado, mas a maior parte dos consumidores agiu como se nada estivesse acontecendo. Um pequeno número de manifestantes reuniu-se na capital chinesa.

“Demorará até que o Carrefour recupere sua imagem”, disse a dona de casa Lin Zhao, 60 anos, ao realizar compras na loja da cadeia em Pequim.

No mês passado, os chineses foram às ruas de várias cidades a fim de defender um boicote contra produtos franceses e investiram contra o Carrefour em seus protestos.

Os usuários chineses da Internet acusaram a rede francesa de dar apoio a grupos pró-independência do Tibet que tentam atrapalhar os Jogos Olímpicos de Pequim.

Os defensores do boicote afirmam que marcas do grupo LVMH, que fabrica produtos sofisticados, “doaram um monte de dinheiro para o Dalai Lama”, líder espiritual do Tibet no exílio.

Do Carrefour, 10,7 por cento é de propriedade da Blue Capital, uma holding controlada pelo grupo Colony Capital e pelo bilionário francês Bernard Arnault, presidente e diretor-executivo do grupo LVMH.

O governo da China, em um esforço para moderar o fervor nacionalista dos manifestantes, veio a público na semana passada a fim de proteger a rede de supermercados francesa, elogiando a forma como a empresa administra seus negócios no país asiático e agradecendo-a por dar apoio às Olimpíadas deste ano.

O presidente do quadro de diretores do Carrefour, José Luis Durán, negou as acusações de que dava apoio ao Dalai Lama, alvo de duras críticas do governo chinês.

Mas a cadeia de supermercados cancelou uma promoção marcada para ocorrer no feriado do Dia do Trabalho.

“Considerando a situação atual, decidimos cancelar esse evento”, afirmou a empresa em um comunicado enviado por email.

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