21 de Outubro de 2008 / às 22:18 / em 9 anos

Oposição diz que governo "finalmente" assumiu a crise

Por Natuza Nery e Isabel Versiani

BRASÍLIA, 21 de outubro (Reuters) - O governo “finalmente” assumiu a crise, disseram líderes da oposição nesta terça-feira, após a participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

“Eles vieram aqui para assumir o que vêm negando há um mês”, afirmou o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), após o encontro convocado pelo Democratas para tratar da crise.

A oposição vinha considerando inconsequente a declaração feita no início do mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise financeira passaria como um “tsunami” nos Estados Unidos, mas chegaria ao Brasil como uma “marolinha”.

O tratamento dado pela oposição à dupla que está conduzindo a economia brasileira no momento internacional considerado o mais difícil desde 1929, foi diferenciado. Enquanto Mantega foi bombardeado com críticas, o presidente do BC foi preservado e até elogiado.

“O problema é de confiança. Quando o Meirelles fala, você confia; quando o Palocci fala, você confia; quando o Mantega fala, você não confia”, atacou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), após ouvir os três falarem do púlpito da Câmara.

Para preservar as duas autoridades de uma exposição indesejada, os líderes governistas costuraram as regras do evento antes da chegada dos convidados. Após 90 minutos de atraso, não houve debate, apenas discursos.

“Não tinha mais como não assumir a crise. O que sinto, no entanto, é que o presidente da autoridade monetária tem um norte e que o ministro da Fazenda tem uma posição errática, que nos deixa muito inseguros”, disse o líder do PSDB, deputado José Anibal (SP).

Mesmo sob alguns poucos protestos, Meirelles teve de abandonar o evento para “fazer o fechamento de mercado”, mas voltou em seguida.

“Eu não acredito que a crise esteja acabando”, disse Mantega no meio de sua apresentação para, depois, completar: “sinto, talvez, uma acomodação.”

A crise financeira, no entanto, não foi páreo para a campanha municipal em seus últimos dias até o segundo turno, no domingo. Somente cerca de 10 por cento da Câmara compareceu ao plenário e não passaram de uma dezena as lideranças políticas presentes.

Apesar do cordão de proteção, Mantega não foi poupado. Logo após deixar a tribuna, viu o adversário Bornhausen questioná-lo sobre o editorial do Estado de S.Paulo publicado nesta manhã, segundo o qual o país precisa de um ministro da Fazenda com urgência.

“Acredito que o editorialista tenha o direito de gostar ou não gostar do ministro da Fazenda”, disse Mantega, criticando o jornal.

Foi ele próprio quem mostrou o editoral a Lula, de acordo com um alto interlocutor do presidente que falou à Reuters sob condição do anonimato.

Edição de Mair Pena Neto

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