1 de Maio de 2008 / às 16:48 / 10 anos atrás

Coalizão paquistanesa rebate temores de ruptura sobre juízes

Por Firouz Sederat

DUBAI (Reuters) - Líderes da aliança que governa o Paquistão há um mês reduziram na quinta-feira suas divergências quanto à reintegração dos juízes afastados pelo presidente Pervez Musharraf para acalmar os temores de que a coalizão estaria prestes a se desfazer.

“A reunião fez avanços muito positivos. Estamos satisfeitos”, disse a jornalistas o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, depois de um segundo dia de conversações de emergência com Asif Ali Zardari, viúvo da falecida Benazir Bhutto.

O partido de Sharif e Zardari --que assumiu a liderança do Partido do Povo do Paquistão após o assassinato de Bhutto-- derrotaram os aliados de Musharraf na eleição parlamentar de fevereiro.

Formarem uma aliança pós-eleitoral e o governo, mas vêm se desentendendo em torno da promessa não cumprida de reintegrar os juízes afastados por Musharraf quando ele impôs o estado de emergência por seis semanas, em novembro.

Sharif e Zardari, cujo PPP lidera a coalizão de quatro partidos, tinham prometido que seu governo faria aprovar na Assembléia Nacional uma resolução para reintegrar os juízes, em um mês após sua posse.

O prazo auto-imposto terminou na quarta-feira. Falando após consultas com Zardari em Dubai, Nawaz Sharif disse que a resolução será aprovada, mesmo que com atraso.

“Não existem ambiguidades ou dúvidas sobre isso”, disse Sharif. “Os detalhes serão anunciados amanhã.”

A liderança da Liga Muçulmana do Paquistão (Nawaz), mais conhecida como PML-N, vai reunir-se em Lahore, no leste do Paquistão, na sexta-feira.

As conversações entre o PML-N e o PPP aconteceram em Dubai porque Zardari tinha ido para lá no fim de semana para visitar suas filhas na residência onde ele e Bhutto viviam até o retorno dela do auto-exílio, em outubro passado.

DESAFIO DA MILITÂNCIA

O governo do primeiro-ministro Yousef Raza Gilani, do PPP, precisa de estabilidade para enfrentar o desafio da militância islâmica e dos problemas econômicos representados pelo crescente déficit comercial e fiscal, a inflação crescente e os cortes frequentes na energia.

Os aliados ocidentais do Paquistão na guerra contra o terrorismo temem a possibilidade de o país, que possui armas nucleares, mergulhar num período prolongo de instabilidade política.

Sharif, o primeiro-ministro que Musharraf derrubou em 1999, quer a reintegração dos juízes como primeiro passo para afastar seu usurpador da presidência.

Os juízes reintegrados podem retomar a contestação da legitimidade da reeleição de Musharraf, em outubro, por um Parlamento em final de mandato e enquanto ele ainda era comandante do Exército.

Já Zardari prefere evitar um confronto agora com Musharraf, que afastou-se do Exército em novembro.

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