29 de Maio de 2008 / às 17:20 / em 9 anos

Ex-porta-voz de Bush defende livro em que critica ex-chefe

WASHINGTON (Reuters) - O ex-porta-voz da Casa Branca Scott McClellan, defendendo o livro no qual critica o presidente dos EUA, George W. Bush, e a guerra no Iraque, disse na quinta-feira que pode ter errado ao não ter falado antes a esse respeito.

<p>Ex-porta-voz de Bush defende livro em que critica ex-chefe. O ex-porta-voz da Casa Branca Scott McClellan, defendendo o livro no qual critica o presidente dos EUA, George W. Bush, e a guerra no Iraque, disse na quinta-feira que pode ter errado ao n&atilde;o ter falado antes a esse respeito. Photo by Larry Downing</p>

Acusado por ex-colegas de governo de ser um traidor, McClellan disse no programa “Today”, do canal NBC, que, em um dado momento, começou a ficar preocupado com a possibilidade da guerra e sentiu que o governo precipitava-se rumo ao conflito. No final, porém, o porta-voz disse ter confiado em Bush e nos assessores do dirigente.

A entrevista concedida à NBC representa a primeira do ex-porta-voz da Casa Branca desde que as notícias sobre o livro dele, “What Happened -- Inside the Bush White House and Washington’s Culture of Deception” (O que aconteceu -- Por dentro da Casa Branca de Bush e da cultura de fraude de Washington, numa tradução livre), atingiram a capital norte-americana.

No cargo de secretário de imprensa de Bush entre 2003 e 2006, McClellan defendeu a necessidade da guerra junto aos meios de comunicação. Em seu livro, no entanto, acusou a Casa Branca de não revelar toda a verdade sobre o conflito e de realizar uma campanha de propaganda política ao argumentar a favor da guerra no Iraque e da deposição do então ditador iraquiano, Saddam Hussein.

“Como muitos norte-americanos, eu lhes dei o benefício da dúvida”, afirmou McClellan. “Olhando para trás e refletindo a esse respeito, acho que eu não deveria ter feito isso.”

O ex-porta-voz afirmou não ter certeza sobre se Bush iria algum dia conversar com ele novamente.

“Não sei”, respondeu ao ser questionado a respeito. “Certamente não acho que isso acontecerá dentro em breve. Sei que esse é um livro que muitas pessoas terão dificuldade para aceitar.”

Ao explicar seus motivos para escrever o livro, McClellan disse ter chegado a Washington junto com o governo Bush alimentando esperanças de mudar a cultura política do país.

“A mensagem mais ampla meio que se perdeu no frigir dos ovos”, afirmou. “A Casa Branca preferiria que eu não falasse aberta e francamente a respeito de minhas experiências ali, mas eu acredito que há um objetivo maior a ser atingido.”

“Nós viemos para Washington para, segundo acredito, sermos tragados pelo jogo de Washington da forma como esse jogo é travado hoje.”

McClellan afirmou que, ao escrever o livro, alimentou esperanças de “ajudar a fazer com que caminhemos para além do feroz embate bipartidário dos últimos 15 anos”.

A Casa Branca reagiu ao livro afirmando que Bush havia ficado surpreso e desapontado.

Reportagem de Donna Smith

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