7 de Maio de 2008 / às 18:03 / em 9 anos

FHC chama dossiê de factóide e critica apatia do Congresso

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, afirmou que perdeu o interesse pelo caso do suposto dossiê sobre os cartões corporativos porque o tema se transformou em um “grande factóide”.

“A questão principal não é saber quem fez ou vazou (o dossiê). A questão principal é saber se houve desvio dos recursos ou uso do dinheiro público. É um factóide. Tem que saber se justifica tanta gente ter o cartão”, disse FHC a jornalistas após participar de um debate sobre a Reforma Política e o voto distrital, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Fernando Henrique criticou a apatia e o esvaziamento do Congresso Nacional ao afirmar que faltam pautas e discussões sobre projetos de interesse do país.

“Os próprios deputados reclamam dia e noite que não têm agenda, que não são eles que controlam as pautas... A descrença no Congresso é alarmante. Ou se resolve isso ou haverá um autoritarismo da presidência”, afirmou o ex-presidente.

“Estamos paralisados pelo sucesso, pelo bom desempenho da economia, pela liberdade e pela democracia. Precisamos sacudir a sociedade. Não pode achar que vai no embalo da valsa. Tem que reger a orquestra porque às vezes ela pode desafinar”, comentou.

“PAC DA COMUNICAÇÃO”

Fernando Henrique acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar o PAC- Programa de Aceleração do Crescimento- como instrumento eleitoral e disse que deveria se chamar “Plano de Aceleração da Comunicação”.

“Eu só vejo o presidente Lula fazendo inaugurações do PAC. O PAC virou um plano de aceleração da comunicação. Os dados de investimentos efetivos mostram que não há nada”, criticou.

Segundo FHC, Lula está fazendo campanha com o PAC. “Se não é uso eleitoral é o que?”, indagou.

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique afirmou que o partido terá candidato próprio nas eleições majoritárias de 2010 e considera cedo apontar um nome para disputar a sucessão de Lula.

“É obrigação do Lula dizer que vai fazer o sucessor dele. Entre o que ele diz e o que vai acontecer só Deus sabe. Espero que não (eleja o sucessor em 2010)”, afirmou.

FHC considera natural uma ruptura da aliança com o DEM em 2010, uma vez que os partidos devem ter os seus representantes.

“Um partido não pode ser só um apêndice de outro. Encaro com naturalidade essa questão... acho que temos que estar abertos para 2010. Vocês não viram o que aconteceu em Minas Gerais. Quem sabe o PT não apoia o candidato do PSDB?”, disse ele, abrindo um largo sorriso.

Edição de Mair Pena Neto

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