23 de Maio de 2008 / às 15:21 / em 9 anos

Al Qaeda critica rei saudita por sugerir diálogo inter-religioso

DUBAI, 23 de maio (Reuters) - Em um vídeo divulgado na Internet, um líder da Al Qaeda acusou a Arábia Saudita de ceder terreno aos inimigos ocidentais do Islã ao pedir uma atitude moderada e a realização de um diálogo com os judeus e os cristãos.

A mensagem de Abu Yahya al-Libi apareceu após a Arábia Saudita ter dito que planejava para este ano uma conferência com importantes clérigos do mundo todo com vistas a promover a moderação e combater o extremismo. Em março, o rei Abdullah havia defendido a realização de um diálogo entre os diferentes credos religiosos.

"Esse, que é chamado de o defensor do monoteísmo pelos clérigos sicofantas, está levantando a bandeira da irmandade entre as religiões e acredita ter encontrado a sabedoria para interromper as guerras e evitar as causas da inimizade entre as religiões e os povos", afirmou Libi, referindo-se claramente ao rei Abdullah.

"Deus meu, se vocês não resistirem heroicamente a esse tirano devasso, chegará o dia em que o sino das igrejas badalará no coração da península Arábica. E o exemplo do Catar não está longe de vocês", disse.

O integrante da Al Qaeda referia-se à decisão do Catar, adotada em março, de permitir a abertura da primeira igreja a funcionar nesse país do golfo Pérsico, um aliado dos EUA.

A vizinha Arábia Saudita, que segue uma vertente radical do Islã, continua a proibir seguidores de outros credos religiosos de construírem locais de culto na terra em que nasceu o Islã.

O vídeo foi colocado na quinta-feira em sites islâmicos usados com frequência pela Al Qaeda e por seguidores dela.

"O instrumento (dos defensores da moderação) é a subjugação. A intenção última deles é satisfazer e agradar o Ocidente, mesmo que isso destrua a religião de Alá", disse Libi, que teria escapado de uma prisão norte-americana no Afeganistão em 2005.

"Não há moderação, aproximação ou colaboração entre nós e os povos infiéis. Quando a luz e a escuridão podem se encontrar?", disse o ativista, um líbio que já divulgou outros comunicados a respeito de questões teológicas.

"Que eles (os defensores da moderação) tenham ciência de que o Islã é a religião da espada", acrescentou, enquanto falava de pé dentro do que parecia ser uma casa de pau-a-pique.

O rei Abdullah vem liderando as tentativas do governo saudita de eliminar os militantes da Al Qaeda responsáveis por lançar, em 2003, uma campanha de ataques contra a família real Arábia Saudita, família essa aliada do governo norte-americano.

O monarca é considerado um reformista, apesar de diplomatas afirmarem que clérigos e os aliados dele vêm resistindo aos planos de mudança.

Reportagem de Firouz Sedarat e Lin Noueihed

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