2 de Maio de 2008 / às 14:23 / em 10 anos

Ruralistas argentinos vão retomar protestos, mas sem bloqueios

Por Jorge Otaola

BUENOS AIRES, 2 de maio (Reuters) - Dirigentes ruralistas argentinos anunciaram na quinta-feira a retomada dos seus protestos nas rodovias a partir de sábado, mas sem bloqueá-las, depois de um mês de negociações intermitentes com o governo que resultaram apenas em acordos parciais a respeito da política agrícola.

Os líderes do movimento apresentaram versões conflitantes sobre a data da retomada dos protestos, decidida em assembléias por todo o país. Mas aparentemente eles concordam que os protestos vão envolver reuniões em entroncamentos rodoviários e panfletagem.

As quatro maiores entidades do setor devem fazer um anúncio conjunto na sexta-feira. Em março, eles realizaram um protesto nacional contra um aumento no imposto sobre a exportação de soja e girassol, o que provocou desabastecimento nas cidades.

Em abril, eles aceitaram suspender as negociações durante um mês para permitir negociações com o governo. A trégua termina na sexta-feira.

“A partir de agora, começamos uma campanha de mobilização”, disse Eduardo Buzzi, dirigente da Federação Agrária Argentina, um dos líderes mais radicais.

Já seu colega Luciano Miguens, da Sociedade Rural Argentina, disse a jornalistas que pretende recomendar a seus afiliados que não retomem os protestos.

“A decisão final será dos nossos membros. Mas não acho que seja nada bom prejudicar a vida dos argentinos comuns, que nos apóiam nisso tudo”, afirmou.

O presidente de outra entidade, a Coninagro, disse que certamente não haverá protestos nas rodovias pelo menos até terça-feira, quando está marcada outra reunião com o governo.

As autoridades não aceitaram a principal exigência dos produtores, o fim de um imposto progressivo sobre as exportações de oleaginosas, o que voltará a ser o tema da reunião de terça-feira.

Na quarta-feira, o governo aceitou normalizar as exportações de carne e trigo, o que deve acontecer nos próximos dias. Desde o começo de abril as autoridades retinham os carregamentos nos portos.

O registro para exportações de trigo passou meses interrompido para que fosse mantido o fornecimento interno, de modo a não aumentar o preço de produtos como pão e macarrão.

A reabertura das exportações vinha sendo sucessivamente adiada. Na quarta-feira, as autoridades diziam que ela dificilmente ocorreria enquanto os grupos ruralistas não chegassem a uma conclusão sobre quanto trigo há para exportar.

O novo mecanismo tributário sobre a soja e o girassol foi a gota d’água para os fazendeiros, já descontentes com várias medidas do governo para domar a inflação, como controles de preços e as restrições às exportações de trigo e carne.

O governo diz que essas medidas são úteis para redistribuir de forma justa o lucro advindo do preço elevado dos produtos agrícolas nos mercados mundiais, e também para controlar o custo de vida.

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