21 de Dezembro de 2007 / às 18:05 / em 10 anos

Chávez participa de cúpula caribenha do petróleo em Cuba

Por Anthony Boadle

CIENFUEGOS, Cuba (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reuniu-se nesta sexta-feira com uma dúzia de líderes de países do Caribe e da América Central para os quais fornece petróleo subsidiado, o que faz aumentar a influência dele na região

Principal adversário dos Estados Unidos na América Latina apesar de a Venezuela ser um importante fornecedor de petróleo para os norte-americanos, Chávez deve inaugurar uma refinaria cubana da era soviética que ajudou a reformar e que fornecerá derivados do petróleo para os países da Petrocaribe, uma iniciativa dele.

“Começamos a criar uma nova geopolítica do petróleo que não está a serviço do grande capital”, disse Chávez em um discurso no qual criticou a distribuição injusta de dinheiro entre os países em desenvolvimento e as nações industrializadas.

Imagens de Chávez e de Fidel Castro saudaram o presidente venezuelano em Cienfuegos, uma cidade portuária localizada a 260 quilômetros de Havana. Como Fidel não aparece em público desde que ficou doente, em julho de 2006, coube a Raúl Castro, irmão dele e presidente em exercício, comandar a reunião com Chávez.

O presidente venezuelano conversou com Fidel durante duas horas e meia na quinta-feira, em Havana, relatou o jornal cubano Granma.

Pelo acordo de 2005 que constituiu a Petrocaribe, os 15 países-membros podem amortizar o impacto da alta dos preços do petróleo adiando o pagamento de 40 por cento do combustível fornecido pela Venezuela por até 25 anos, pagando juros de apenas 1 por cento.

A Venezuela vende 53 mil barris diários de petróleo cru e de derivados para a República Dominicana, Jamaica, as ilhas do Leste do Caribe (Antígua e Barbuda, Dominica, São Cristóvão e Névis, e Santa Lúcia), Nicarágua e Belize. Mas pode dobrar esse volume se novas instalações forem construídas.

“Esse esforço de cooperação sedimentou-se, está funcionando, e outros países desejam fazer parte dele, o que mostra sua força”, afirmou na quinta-feira o ministro venezuelano da Energia e do Petróleo, Rafael Ramírez.

Para a depauperada economia cubana, as condições da ajuda enviada por Chávez são ainda mais favoráveis. A ilha caribenha paga pelos 92 mil barris de petróleo que recebe por dia com os serviços de milhares de médicos cubanos que atendem à população carente da Venezuela.

REFINARIA SOVIÉTICA

Cuba já começou a receber carregamentos de petróleo para a refinaria de Cienfuegos, uma joint venture das petrolíferas estatais da Venezuela, PDVSA, e de Cuba, Cupet, com capacidade para processar 65 mil barris de petróleo por dia.

A instalação deixou de funcionar 12 anos atrás, após o colapso da União Soviética, o que privou os cubanos das remessas de petróleo subsidiado e de tecnologia, lançando o país comunista em uma profunda crise.

Ramírez disse que 166 milhões de dólares foram investidos na reforma da refinaria, que produzirá óleo combustível, diesel, gasolina e querosene de aviação para Cuba, Nicarágua, Belize e Honduras.

“A refinaria integra a logística da Petrocaribe”, afirmou Ramírez. “Estamos ajudando a romper o bloqueio contra Cuba”, disse, referindo-se às sanções comerciais impostas há 40 anos pelos EUA.

A joint venture pretende expandir sua capacidade de refino para um total de 109 mil barris por dia até 2010, a um custo de 1,3 bilhão de dólares.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below