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PT de BH agora ameaça punir dissidentes pró-PCdoB

BELO HORIZONTE (Reuters) - Depois de enfrentar uma batalha para apoiar um candidato ligado ao governador tucano Aécio Neves, agora a direção municipal do PT ameaça punir os petistas que apoiarem a candidata Jô Moraes do PCdoB à prefeitura de Belo Horizonte. Ela é primeira colocada em recente pesquisa Ibope.

O diretório decidiu que os casos de adesão à deputada serão analisados pela comissão de ética do partido. A comissão vai examinar cópias de e-mails, reportagens veiculadas pela imprensa e outros documentos nos quais petistas fazem campanha para a deputada.

Oficialmente, o PT apóia a chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), que tem o petista Roberto Carvalho como vice. PT, PSB e PCdoB são partidos aliados em nível nacional.

“A coligação foi uma decisão do PT. Ninguém pode usar a bandeira e os símbolos do partido em campanha adversária”, disse à Reuters o presidente do PT em Belo Horizonte, Aluísio Marques.

Por isso, afirmou que “queremos que os fatos sejam apurados, com amplo direito de defesa”. Marques não deu detalhes sobre o tipo de punição que será aplicado. “Vai de nada a tudo, de acordo com o estatuto do partido”, disse.

Além do apoio a Jô Moraes, declarado por parte da militância há cerca de duas semanas, a comissão também deve analisar casos de candidatos a vereador que confeccionaram material de campanha sem incluir os nomes majoritários ou citar a coligação, resultado de uma articulação de Aécio Neves, de quem Lacerda era secretário de Estado, e do prefeito Fernando Pimentel (PT).

“Legalmente, os candidatos têm que colocar os nomes majoritários. Isso já aconteceu em outras eleições e, no fim, quem perde é o próprio candidato”, afirma.

LAMBANÇA

Aluísio evitou citar nomes, mas entre os alvos da representação à comissão de ética está principalmente o ex-deputado estadual e atual delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Minas, Rogério Correia, além de outros integrantes antigos do partido.

Correia, que não se intimidou com a ameaça, afirma que, apesar da medida, não teme retaliação.

“Como se petista tivesse medo de repressão. Se a comissão for analisar minha conduta, nem perderei tempo em me defender”, afirmou.

“Se for a questão política, é o PT municipal que terá que responder pela aliança com o PSDB”, acrescentou. Correia se refere à decisão do diretório nacional petista de vetar a coligação com os tucanos em Belo Horizonte, que aprovaram participação informal na campanha.

Ele conta que enviou documentos à Executiva Nacional do PT alertando que “a aliança com o PSDB é real” e pedindo liberação para apoiar Jô Moraes.

“Fizeram uma lambança com essa aliança que dividiu o PT e outros partidos. Eu vou acatar a decisão nacional. Não farei campanha com o PSDB”, garantiu. Ele considera que Jô Moraes é a candidata que tem a maior afinidade histórica com o PT.

A adesão é um dos motivos para o avanço da candidatura de Jô. Pesquisa Ibope divulgada no domingo mostrou a candidata na liderança com 17 por cento das intenções de voto, seguida por Leonardo Quintão (PMDB), com 14 por cento, e Márcio Lacerda em terceiro, com 8 por cento das preferências.

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