16 de Abril de 2008 / às 17:30 / em 10 anos

Graça Foster modera tom sobre pré-sal e lembra eventuais falhas

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 16 de abril (Reuters) - A diretora de Gás e Energia da Petrobras PETR4.SA, Graça Foster, alertou nesta quarta-feira que é preciso conter a ansiedade com a camada pré-sal do Brasil e confirmou que uma análise mais precisa sobre o tamanho das reservas na área conhecida como Carioca, na bacia de Santos, só deverá ficar pronta em três meses.

“É fundamental conter o entusiasmo em cada momento. Cada poço é um poço. Existem falhas de perfuração e às vezes você tem falhas e perde a perspectiva. É preciso conter a ansiedade e é fundamental fazer a interpretação das informações”, disse Foster em palestra no Fórum Portugal 2008, na Firjan.

“Somos uma empresa tradicional. Quando for anunciado ao mercado, isso será feito quando se sustentar tecnicamente”, acrescentou.

Declarações sobre uma possível reserva de 33 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural) feitas pelo diretor geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Haroldo Lima, na segunda-feira, agitaram o mercado.

A Petrobras não confirmou os dados, e na terça-feira tanto o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, quanto o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, afirmaram que os estudos sobre Carioca só estarão concluídos em aproximadamente três meses.

Foster afirmou a jornalistas que não “sabe o motivo que levou o regulador do mercado a fazer a divulgação”, mas acredita que pode ter sido uma manisfestção do momento positivo que o Brasil atravessa no mercado de petróleo.

“É natural o entusiasmo. O Brasil passa por um momento de felicidade na energia... Só tem que segurar um pouco a felicidade para analisar os milhares de dados técnicos nas mãos. Se eu não cheguei na zona do pré-sal não dá para comentar”, afirmou Foster, referindo-se ao fato de o segundo poço de análise na área conhecida como Carioca ainda não ter atingido a faixa.

Em meio a discussões sobre os ajustes no modelo de exploração e produção de petróleo e gás no país a partir da descoberta do pré-sal, a executiva defendeu a importância do regime de concessões de áreas adotado pela ANP desde 1998, quando foi criada a lei do petróleo.

“Não conheço modelo melhor... as rodadas devem acontecer e acho que o governo acertou ao tirar o pé do acelerador, pensar e refletir quando você tem reservas interessantes”, disse.

PRESSÃO

Foster defendeu ainda o programa de biocombustíveis brasileiro, que foi muito criticado internacionalmente, e afirmou que há uma pressão da indústria petrolífera mundial para impedir o avanço do país na produção de combustíveis renováveis.

“Começa a ter uma reação, mas a situação do Brasil é completamente diferente de países menores que têm terra para o sustento próprio. Nós temos um monte de terra e um grande zelo. O mercado precisa ser esclarecido e não existe uma ameaça de fato”, disse ela.

“Há uma preocupação entre os mercados já estruturados para os combsutíveis fósseis. Aquele país que é grande importador de fóssil já tem uma indústria pronta, empresas estruturadas. Quando entra algo novo há uma preocupação em perda de mercado... Não é lobby. É uma preocupação com o tamanho do etanol”, acrescentou.

Texto de Camila Moreira; Edição de Marcelo Teixeira

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