1 de Abril de 2008 / às 15:25 / em 10 anos

Braskem se expande na A.Latina para brigar com Oriente Médio

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os projetos da Braskem na Venezuela vão colocar a empresa em pé de igualdade para competir com rivais do Oriente Médio e, com demais planos de expansão, podem levar a companhia ao grupo das dez maiores petroquímicas do mundo, avaliou o presidente da empresa, José Carlos Grubisich.

Depois de consolidar sua presença no Brasil, em uma operação de troca de ativos com a Petrobras, no ano passado, a Braskem parte para a internacionalização buscando as mesmas armas dos seus principais concorrentes: fábricas localizadas perto de um grande volume de matéria-prima.

Na Venezuela, a maior petroquímica da América Latina desenvolve, junto com a estatal petroquímica venezuelana Pequiven, projeto de 3,5 bilhões de dólares que vai aumentar em 450 mil toneladas a produção de polipropileno da companhia a partir de 2010, ou 40 por cento a mais, e em 1,2 milhão de toneladas a de polietileno usando gás natural a partir de 2012, um salto de 50 por cento nesse segmento.

“Isso abre uma perspectiva muito grande para consolidar nossa posição de um ator mais importante na Europa e América do Norte, porque vai colocar em termos de custo de produção a Braskem em linha com os principais concorrentes do Oriente Médio. Ficamos em condições de igualdade”, disse Grubisich durante o Reuters Latin America Investment Summit, no final da tarde de segunda-feira.

Ele disse não temer eventuais problemas com o governo nacionalista de Hugo Chávez, afirmando que a produção de produtos petroquímicos para agregar valor aos hidrocarbonetos é interessante para o país em qualquer cenário.

“É um projeto que tem evidente interesse estratégico e atratividade econômica financeira para a Braskem, mas traz vantagem para a Venezuela ao agregar valor ao petróleo e gás, isso que nos dá uma segurança muito grande de que esse projeto é vantajoso em qualquer cenário de Venezuela futura”, afirmou.

PERU E BOLÍVIA

Estudos para repetir a mesma fórmula no Peru e na Bolívia estão sendo desenvolvidos, segundo Grubisich. O projeto do Peru está mais adiantado, enquanto na Bolívia, depois de congelado no ano passado devido a incertezas de fornecimento de gás natural, ainda é dúvida na companhia.

A idéia no Peru é aproveitar o gás natural do campo de Camisea, explorado pela Repsol-YPF e Petrobras, para produzir na costa do Pacífico polietileno visando os mercados da costa oeste americana e possivelmente Ásia.

“Seria uma nova unidade industrial de polietileno que ainda estamos em fase de discussão com nossos parceiros potenciais, que são a Petroperu, parceiros peruanos e Petrobras”, informou.

Já na Bolívia “planos ainda embrionários”, segundo Grubisich, apontam para a produção de polietileno visando os países do Mercosul, principalmente Brasil e Argentina.

“A decisão de investimento no Peru deve ser tomada ao longo de 2008 e os projetos na Bolívia vão depender de uma série de questões, de pré-requisitos e premissas para gente poder avançar”, afirmou o executivo.

Entre as determinantes estão o modelo de investimento que será desenvolvido na área de óleo e gás na Bolívia e como serão retomados os investimentos para buscar novas reservas e colocar novas áreas em produção. “Se não tiver gás não tem petroquímica”, lembrou Grubisich.

Depois de suspender investimentos na Bolívia com a nacionalização do setor de hidrocarbonetos, em 2006, a Petrobras estuda a retomada da exploração e produção naquele país, mas nada ainda foi concretizado.

Para subir na escala mundial, a Braskem também conta com expansões no Brasil e a entrada no mercado de produtos a partir de matérias-primas renováveis. Este mês, a Braskem inaugura uma nova fábrica em Paulínia, com capacidade para 300 mil toneladas de polipropileno, e tomou a decisão de aumentar a produção de PVC em 200 mil toneladas. A partir de 2010 produzirá 200 mil toneladas de polipropileno a partir de etanol.

“Temos três estratégias importantes e complementares: a consolidação no Brasil, que nos dá liderança incontestável em polietileno, polipropileno e PVC; o eixo de crescer no mercado internacional; e alavanca matérias-primas renováveis que no mundo hoje têm um apelo mercadológico muito grande”, afirmou.

(Colaboraram Andrei Khalip, Inaê Riveras, Aluísio Alves e Marcelo Teixeira)

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