1 de Abril de 2008 / às 16:30 / em 10 anos

Braskem pode ter fábrica de 500 mil ton de "plástico verde"

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um dos pilares do crescimento da Braskem no mercado mundial, a produção de produtos petroquímicos a partir de fontes renováveis, atraiu o apetite de clientes inusitados como prefeituras, e já faz parte da cobiça de fábricas de cosméticos, montadoras, indústria de higiene pessoal, entre outros segmentos de mercado.

“Tivemos uma avalanche de clientes interessados, não só em comprar o produto como em construir fábricas junto conosco e em comprar tecnologia para construir em outros lugares”, disse o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, sem citar os possíveis futuros parceiros, no Reuters Latin America Investment Summit.

A primeira planta do “plástico verde” deverá entrar em operação em 2010 e vai produzir 200 mil toneladas por ano de polietileno. Se tudo certo, e com a perspectiva de continuidade de preços altos do petróleo, os planos são de construir outra fábrica, desta vez com capacidade entre 300 e 500 mil toneladas.

“Se levar tudo em consideração hoje, com o preço do petróleo, o custo de produção (do polietileno a partir do etanol) é mais barato, e mesmo se (o preço do petróleo) chegar a 50 dólares, fica competitivo, menos que hoje, mas fica”, afirmou.

A empresa ainda não decidiu a localização da nova planta, se em Camaçari, na Bahia, ou em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e também estuda se vai produzir o próprio etanol ou comprar de terceiros. “Vamos optar por aquela que for a forma mais eficiente para a rentabilidade da Braskem”, explicou.

Grubisich disse que, assim como muitos analistas, prevê que o preço do petróleo não volte para os patamares de 20 dólares de anos atrás, o que levará o mundo a buscar cada vez mais tecnologias que evitem a matéria-prima fóssil.

“Você ter tecnologias que alavanquem matérias-primas cada vez mais competitivas relativamente ao petróleo e ao gás, e que ainda por cima não trazem a penalidade de ter que pagar pelo volume de emissão de gás carbônico, é um negócio muito promissor”, avaliou.

Segundo o executivo, o Brasil tem vantagem competitiva em todas as fontes de matérias-primas renováveis e poderia desenvolver mais esse segmento, para agregar valor às fontes naturais.

“O apetite do mercado global para produtos que têm esse selo ambiental é uma coisa impressionante”, ressaltou. “Imagina por quanto você pode vender um produto feito com embalagem sofisticada feita com matéria-prima renovável?”, prevê o principal executivo da maior petroquímica latino-americana.

Mas apesar do entusiasmo, Grubisich disse que seria prematuro construir unidades de maior porte para atender à evidente demanda. Com produção hoje de apenas 12 toneladas em uma planta-piloto, o mais prudente é testar aos poucos o novo negócio.

“O projeto inicial era de 100 mil toneladas, mas como a demanda foi muito grande resolvemos ir para 200 mil, mas seria imprudente sair de 12 toneladas para um volume muito maior do que isso”, explicou.

Com reportagem adicional de Inaê Riveras, Andrei Khalip, Aluísio Alves e Marcelo Teixeira

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