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Vale afirma ter interesse em Caraíba e Cibrafértil

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale negou nesta terça-feira que esteja negociando a compra da holding Paranapanema, mas confirmou interesse em duas empresas do grupo, a Caraíba Metais e, para surpresa do mercado, da Cibrafértil.

A holding, controlada pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil que também é o maior acionista da Vale, possui ainda a produtora de semi-elaborados de cobre Eluma e a Taboca, de estanho e minerais industriais.

“A Vale esclarece, no entanto, que este projeto está ainda em processo de análise, e que não apresentou proposta vinculante e efetiva de aquisição das subsidiárias da Paranapanema”, informou a companhia em um comunicado.

A Caraíba responde por 70 por cento do faturamento da Paranapanema, que no ano passado foi de 3,2 bilhões de reais. A empresa adquire anualmente 650 mil toneladas de cobre no mercado --76 por cento importado-- para produzir 220 mil toneladas de produtos (vergalhões, fios de cobre, cátodo).

A compra da Paranapanema pela Vale vem sendo especulada pelo mercado desde que a Previ anunciou a sua venda, mas analistas não consideram o negócio relevante para a gigante do minério de ferro e muito menos apóia a volta da companhia ao setor de fertilizantes, como já foi sugerido no início de junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A Caraíba não agrega nada para a Vale, mas tudo bem, é cobre, agora, entrar em fertilizantes de novo, depois de ter vendido ativos lá atrás? É preocupante”, disse o analista Pedro Galdi, da corretora SLW.

Em 2003, a Vale vendeu a sua participação na Fosfértil para a Bunge, por 240 milhões de reais.

No setor de fertilizantes, a empresa explora potássio na mina de Taquari-Vasssouras, em Sergipe.

Galdi acrescentou que devido ao porte da Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo e uma das três maiores mineradoras integradas, a Paranapanema inteira poderia ser comprada, e isso não significaria nada em termos de valor para a mineradora, que nas próximas semanas fará uma emissão de ações de 15 bilhões de dólares.

Também a analista Cristiane Viana, da Corretora Ágora, não vê atrativos na Paranapanema para a Vale.

“A Paranapanema de jeito nenhum, mas a Caraíba até faz sentido por causa do cobre”, avaliou.

A Paranapanema foi criada em 1996 por um grupo de fundos de pensão liderados pela Previ com a intenção de se tornar um conglomerado de empresas voltadas para a produção de metais não ferrosos, dos quais o Brasil é carente. As 73 empresas do grupo foram transformadas nas quatro atuais.

A empresa era conhecida até pouco tempo no mercado como “paranaproblema”, devido a suas elevadas dívidas e à falta de uma solução para a venda dos seus ativos.

No ano passado, a Previ tentou vender a empresa via mercado, sem sucesso, e decidiu reestruturar a dívida com os credores, entre eles o BNDES, que passou a ser também acionistas da companhia. A venda dos ativos da Paranapanema está sendo coordenada pelo UBS.

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