1 de Setembro de 2008 / às 13:45 / 9 anos atrás

Impasse político provoca renúncia de premiê japonês

Por Linda Sieg

<p>O primeiro ministro japon&ecirc;s Yasuo Fukuda fala durante confer&ecirc;ncia em sua resid&ecirc;ncia oficial em T&oacute;quio, dia 1o de setembro. O primeiro-ministro do Jap&atilde;o, Yasuo Fukuda, uma figura impopular, renunciou na segunda-feira tentando solucionar um impasse pol&iacute;tico e transformando-se no segundo l&iacute;der japon&ecirc;s a deixar o cargo de forma inesperada em menos de um ano. Photo by Toru Hanai</p>

TÓQUIO (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, uma figura impopular, renunciou na segunda-feira tentando solucionar um impasse político e transformando-se no segundo líder japonês a deixar o cargo de forma inesperada em menos de um ano.

Fukuda, 72, vinha tendo dificuldades para negociar com um Parlamento dividido, no qual os partidos da oposição controlam a câmara alta e podem adiar o trâmite de projetos de lei, e isso ao mesmo tempo em que a segunda maior economia do mundo vê-se ameaçada por uma recessão.

“Temos de dar prioridade ao sustento da população, e para isso não pode haver um vácuo político gerado por barganhas políticas ou um lapso de medidas. Precisamos de uma nova equipe para adotar as medidas (necessárias)”, disse Fukuda.

“Na minha opinião, seria melhor que outra pessoa assumisse esse encargo no meu lugar.”

Taro Aso, um ex-ministro das Relações Exteriores de tendência direitista e atual secretário-geral do Partido Democrático Liberal (LDP), a legenda governista, é apontado como favorito para suceder Fukuda.

Muitos boatos circulavam dando conta de que o impopular premiê seria substituído pelo chefe do LDP antes de uma eleição geral que precisa ser realizada até setembro de 2009.

Diante da inesperada notícia, o dólar valorizou-se, passando a valer 108 ienes, e o mesmo ocorreu com o euro (158 ienes). A renúncia pegou de guarda baixa os investidores em um mercado menos agitado que o normal devido ao feriado nos EUA.

“Os mercados não gostam de incerteza e isso é algo que se encaixa nesse caso. Isso não ajuda em nada, mesmo que ele não fosse uma figura propriamente popular”, disse Jeremy Stretch, estrategista de mercado do Rabobank, em Londres.

A renúncia de Fukuda não significa a realização automática de uma eleição geral. O novo líder do LDP pode comandar a coalizão de governo se obtiver o apoio da câmara baixa do Parlamento.

O atual dirigente, um conservador moderado que defende a aproximação com os vizinhos asiáticos do Japão, assumiu o cargo em setembro passado depois de o antecessor dele, Shinzo Abe, haver renunciado após ficar apenas um ano na posição.

“Isso significa que dois premiês seguiram-se um depois do outro. O vácuo político será de ao menos duas semanas --mais provavelmente, de um mês. Nada vai acontecer. Há muitas chances de o LDP ser pressionado para convocar uma eleição o quanto antes”, disse Koichi Nakano, professor de ciências políticas na Universidade Sophia.

“Certamente, isso não é algo que se deva apoiar. Trata-se de algo inaceitável, mesmo para os padrões japoneses.”

Segundo analistas, o efeito da renúncia seria a criação do mesmo vácuo político que Fukuda disse querer evitar em um momento no qual a economia do Japão já entrou em recessão ou se encontra à beira de uma.

Reportagem adicional de Isabel Reynolds e Chisa Fujioka

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