1 de Abril de 2008 / às 21:38 / 9 anos atrás

Exportações caem em março pela 1a vez no governo Lula

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - As exportações brasileiras caíram em março frente ao mesmo período do ano anterior, primeira queda nesse tipo de comparação registrada no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O recuo das vendas externas, aliada à aceleração das importações, resultou em um superávit comercial de 1,012 bilhão de dólares no mês passado --cerca de um terço dos 3,306 bilhões de dólares registrados em março de 2007.

O governo atribuiu o mau desempenho das exportações, divulgadas nesta terça-feira, a uma retração que considera temporária dos embarques de minério de ferro, soja e petróleo, além de um menor número de dias úteis.

“Esperamos que para o resto do ano possamos recuperar uma série dos itens que tiveram pouca exportação até agora”, afirmou a jornalistas o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral.

As exportações brasileiras somaram 12,613 bilhões de dólares no mês passado, queda de 2,14 por cento em relação aos 12,889 bilhões de dólares de março de 2007. Na comparação com a média diária, as exportações subiram 7,6 por cento.

As importações, por outro lado, tiveram alta de 21 por cento frente ao ano passado e somaram 11,601 bilhões de dólares. Na média diária, a alta foi de 33,2 por cento.

PREÇOS X DEMANDA

Segundo Barral, a demanda por minério de ferro teria se retraído no mês passado por conta do anúncio do reajuste de preços da commodity. Os embarques brasileiros somaram 14 milhões de toneladas no mês passado, frente à média mensal de 20 milhões de toneladas, de acordo com o secretário.

As exportações de soja também caíram 28 por cento no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado, o que Barral atribui à elevação de 52 por cento nos preços médios. “Os importadores evitam formar estoques”, argumentou.

Esses fatores estariam por trás da queda de 8,5 por cento verificada nas exportações para a China em março, na comparação pela média diária com o mesmo período do ano passado.

Barral descartou que a queda pudesse já ser um indicador de uma desaceleração generalizada da demanda chinesa. “Ao contrário, a China continua comprando muito e de tudo”, disse.

As exportações de petróleo também se retraíram em março como resultado de uma parada técnica da refinaria de Paulínia, do aumento do consumo doméstico e de uma reposição de estoques por parte da Petrobras, acrescentou Barral.

A exportação de petróleo bruto somou 368 milhões de dólares no mês passado, ante 543 milhões de dólares há um ano.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 0,5 por cento e, para a Argentina, subiram 28,5 por cento.

Segundo Barral, se não fossem os protestos dos produtores agrícolas na Argentina, que há duas semanas têm obstruído as estradas do país vizinho, o saldo comercial brasileiro possivelmente teria sido diferente. É que as manifestações têm prejudicado as importações mais do que as exportações, argumentou o secretário.

“(O superávit comercial) poderia ser menor”, admitiu o secretário, lembrando que a Argentina é o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

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