August 1, 2008 / 12:32 PM / 10 years ago

Indústria tem no 1o semestre maior alta desde 2004

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira fechou o primeiro semestre com a maior taxa de expansão desde 2004, puxada pelo bom desempenho da produção de bens de capital e de consumo duráveis.

A produção das indústrias no país cresceu 2,7 por cento em junho frente a maio, o que garantiu expansão de 6,3 por cento no primeiro semestre, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

“O resultado do primeiro semestre de 2008 confirmou o padrão de crescimento da indústria ao longo deste ano, com o maior dinamismo vindo dos setores produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis”, destacou o IBGE em comunicado.

O crescimento registrado na primeira metade do ano foi o maior registrado desde o primeiro semestre de 2004, quando a indústria avançou 8,3 por cento.

A produção de bens de capital —um importante indicador do nível de investimento no país— cresceu 17,1 por cento nos primeiros seis meses do ano. No segmento de bens de consumo duráveis, o avanço foi de 13,9 por cento, impulsionado pelo setor automobilístico, segundo o economista Silvio Sales, do IBGE.

Na véspera, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia mostrado que o ritmo de atividade do setor no segundo trimestre do ano mantinha-se em franca ascensão.

PRODUÇÃO RECORDE

O crescimento da produção industrial em junho ficou levemente acima das estimativas de analistas consultados pela Reuters, que esperavam avanço de 2,6 por cento.

A taxa mensal de 2,7 por cento foi a maior registrada pelo IBGE desde outubro de 2007, o que levou o patamar de produção do setor para um novo recorde.

Na comparação com junho de 2007, a produção industrial cresceu 6,6 por cento. Em 12 meses até junho, as indústrias aumentaram em 6,7 por cento o volume produzido.

“A virtude desse resultado de junho é que... foi um movimento generalizado”, afirmou Sales, ao destacar que a expansão foi verificada em 23 ramos industriais, em todas as categorias de uso.

Sales ponderou, entretanto, que ainda não há como afirmar que a aceleração verificada em junho irá se traduzir em tendência para o segundo semestre. “Houve, sem dúvida, uma aceleração da indústria na margem, mas não dá para falar em tendência por enquanto.”

Se a indústria mantiver o ritmo de junho ao longo do segundo semestre, o setor fechará o ano com expansão de 6,1 por cento, praticamente no mesmo patamar de 2007, quando o crescimento foi de 6,0 por cento.

“É importante lembrar que, embora o segundo semestre de cada ano seja mais forte que o primeiro, a base de comparação para este ano vai ser mais forte”, ponderou Sales.

Para a CNI, alguns indicadores permitem vislumbrar um arrefecimento da atividade nos dois últimos trimestres do ano.

“Os estoques estão acima do desejado, aumentou a dificuldade de obtenção de crédito e as margens de lucro das empresas estão menores, por conta de aumento de preços de matérias-primas”, afirmou Flávio Castelo Branco, gerente de política econômica da CNI, em relatório divulgado nesta semana.

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