1 de Agosto de 2008 / às 10:09 / 9 anos atrás

Alckmin bate em Kassab e os dois atacam Marta em debate

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 1o de agosto (Reuters) - No primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo na campanha eleitoral deste ano, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) partiu para o ataque e criticou a gestão do prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que revidou.

Os dois, que disputam o apoio do PSDB, também não pouparam a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que procurou aliar sua imagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de pregar parceria com o governador paulista José Serra (PSDB).

Realizado pela TV Bandeirantes na quinta-feira à noite, o debate de mais de duas horas reuniu oito dos onze candidatos que disputam a vaga de prefeito na cidade. O grande número de adversários tornou o programa arrastado e levou candidatos a passar largo tempo sem se manifestar.

"A cidade de São Paulo está escura. Nós temos ainda aquelas lâmpadas antigas, aquelas luminárias de mercúrio", afirmou Alckmin, empatado na liderança das intenções de voto com Marta. Disse ainda que uma cidade "feéricamente" iluminada ajuda a combater a violência e a segurança pública.

Kassab, terceiro colocado nas pesquisas, não perdoou e culpou a privatização na área de energia elétrica realizada por Alckmin no governo do Estado. "Foi no seu governo, quando praticamente não colocou (na venda) a obrigação de trocar as lâmpadas".

O setor de saúde, a maior reclamação do paulistano segundo pesquisa recente, foi tão ou mais debatido do que o trânsito. Para Alckmin, "é preciso recuperar o atendimento primário, as UBS (Unidades Básicas de Saúde, os postos)", em nova crítica a Kassab.

Alckmin também mostrou munição contra Marta. "Deu muito trabalho recuperar a prefeitura", disse, referindo-se ao período de José Serra, que recebeu a prefeitura de Marta em 2004 e dois anos depois saiu para disputar o governo do Estado, quando Kassab, seu vice, assumiu a gestão. O tucano afirmou que a ex-prefeita teve problemas para pagar a dívida pública da cidade.

Afirmando serem "mentiras e inverdades", Marta disse que deixou recursos em caixa e não entende porque a administração seguinte deixou de pagar os fornecedores. Em entrevista após o debate, Alckmin disse que vai divulgar documentos que provam os problemas nas contas do município.

Em uma das muitas declarações sobre as soluções para o trânsito, Kassab atacou Marta ao afirmar que os corredores de ônibus construídos em sua gestão não são eficientes. "São corredores sem área para ultrapassagem. Não basta isolar uma faixa das avenidas", afirmou, admitindo que ainda há muito a fazer nesta área. Marta disse que, se eleita, ampliará os corredores.

Candidatos com menor pontuação nas pesquisas de intenção de voto, Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL) criticaram a prioridade dada ao automóvel. Enquanto Soninha defende a criação de ciclovias (ela foi de bicicleta ao debate), o socialista Valente diz que é preciso "atacar o interesse dos poderosos", referindo-se à indústria automobilística.

LULA É DE QUEM?

Nas considerações finais, Marta fez quase que um apelo a Serra. "Quero falar com o governador José Serra, quero ser a sua parceria, quero governar essa cidade para que possamos dar vida melhor aos paulistanos. Sem união, não tem jeito", disse a petista.

Quanto a Lula, afirmou que o presidente lhe disse que deseja sua vitória. "Ele disse, Marta, quero que você ganhe, porque com a situação econômica que o país está, vai dar para fazer muita coisa em São Paulo."

Em sua vez, Kassab disputou os mesmos padrinhos. "Sou o maior parceiro do presidente Lula no Bolsa-Família, e do José Serra. Vamos consolidar as ações."

A inclusão de candidatos em lista da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que aponta aqueles que respondem a ações judiciais mereceu explicações de Paulo Maluf (PP) e de Kassab. O prefeito é co-réu em processo da época em que foi secretário do ex-prefeito Celso Pitta. Ele afirmou que foi absolvido, mas não disse que o Ministério Público recorreu e a ação continua tramitando. Maluf afirmou que não há condenação em nenhuma das sete ações contra ele.

1 MILHÃO DE ÁRVORES

Maluf arrancou risadas da platéia, formada por assessores e políticos ligados aos candidatos. "Plantamos um milhão de árvores na nossa gestão", disse, referindo-se ao período em que foi prefeito, de 1993 a 1996.

Citou mais de uma vez sua plataforma para o trânsito nesta campanha: criar uma "freeway" (avenida de alta velocidade) construindo uma lage sobre os rios Pinheiros e Tietê.

Ainda lançou ao eleitor um desafio: escolher entre um engenheiro (ele próprio), uma psicóloga (Marta) ou um médico anestesista (Alckmin).

Já Ciro Moura (PTC) causou constrangimento ao responder a uma pergunta sobre as soluções para a poluição do ar da cidade. Ele disse que estava mais preocupado com a "poluição humana, com as pessoas que moram nas ruas, sob os viadutos."

Renato Reichmann (PMN) mostrou-se alinhado com Marta. Em uma pergunta feita por ela, disse que manteria os CEUS (Centros Educacionais Unificados) e foi o único entre os candidatos a chamá-la de "ministra". Marta ocupou a pasta do Turismo de março de 2007 a junho último.

Edição de Renato Andrade

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