1 de Maio de 2008 / às 13:21 / em 9 anos

Israel aceitaria acordo tácito de trégua na Faixa de Gaza

Por Dan Williams

JERUSALÉM (Reuters) - Israel deve aceitar uma trégua informal com os militantes palestinos da Faixa de Gaza se forem suspensos o lançamento de foguetes pela fronteira e o contrabando de armas para dentro do território, afirmou na quinta-feira uma importante autoridade israelense.

Citando um membro do primeiro escalão do governo egípcio não identificado, a Mena, agência de notícias oficial do Egito, disse na quarta-feira que as facções palestinas reunidas no Cairo haviam aceitado uma proposta do governo daquele país para acatar um cessar-fogo a começar da Faixa de Gaza, área controlada pelo Hamas.

No entanto, várias das facções mostraram-se pouco dispostas a adotar uma trégua e algumas disseram reservar-se o direito de retaliar no caso de ataques israelenses.

Um membro do gabinete de segurança do governo de Israel que não quis ter sua identidade revelada porque a proposta de paz ainda não havia sido concluída disse que o país aguarda para ver os resultados da mediação egípcia.

"Não será assinado um acordo entre Israel e o Hamas, obviamente", afirmou a autoridade. "Mas nada impede que os dois lados assumam compromissos de forma independente com o Egito. Isso, na prática, seria um acordo tácito de trégua."

Israel, segundo afirmou, "quase certamente aceitaria" um cessar-fogo se tal acordo "atender a nossas exigências básicas -- o fim dos atos de violência vindos da Faixa de Gaza e do contrabando de armas que alimenta aqueles atos."

A autoridade disse que suas opiniões pareciam ser compartilhadas por membros fundamentais do governo do primeiro-ministro Ehud Olmert e que esperava ver "um avanço a respeito desse assunto dentro de alguns dias".

Algumas outras autoridades israelenses, entre as quais comandantes de alta patente das Forças Armadas, mostraram-se preocupados com a possibilidade de uma trégua permitir ao Hamas e a outras facções recuperarem-se de reveses sofridos recentemente.

A Jihad Islâmica, que costuma lançar foguetes contra Israel, disse que não poderia aceitar oficialmente uma trégua que não se aplicasse também à situação da Cisjordânia ocupada.

"No entanto, não seremos os primeiros a violá-la ou a miná-la. E daremos uma chance para a reabertura dos postos de fronteira (da Faixa de Gaza) e para a minoração dos sofrimentos de nosso povo", disse em um comunicado Zeyad al-Nakhala, vice do chefe exilado da Jihad Islâmica, Ramadan Shallah.

Segundo a Mena, a proposta do governo egípcio integra um plano mais amplo que levará, em determinado ponto, ao levantamento das restrições impostas sobre a Faixa de Gaza por Israel, restrições essas tornadas mais rígidas com a ajuda do Egito depois do Hamas ter assumido o controle daquele território.

Militantes da Jihad Islâmica presentes na Faixa de Gaza lançaram vários foguetes contra Israel, ataques esses que seriam uma resposta às operações militares israelenses no território.

Israel, que retirou seus soldados e colonos da Faixa de Gaza em 2005, mas que ainda controla as fronteiras do território, informa que não teria motivo para lançar ataques contra o enclave costeiro se os palestinos suspendessem o lançamento de foguetes.

Escrito por Jeffrey Heller em Jerusalém; Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza e Aziz El-Kaissouni no Cairo

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