1 de Maio de 2008 / às 19:50 / em 9 anos

Estrangeiro desfila em Cuba movido por mística revolucionária

Por Esteban Israel

LA HABANA (Reuters) - Mais de mil de estrangeiros comemoraram na quinta-feira o Dia do Trabalho em Havana, atraídos por uma mística revolucionária que, asseguram, hoje só encontram em uma das últimas nações socialistas do planeta.

Estes simpatizantes voaram a Cuba vindos de 61 países para participar em um grande desfile na praça da Revolução comandado pelo presidente Raúl Castro.

“É como voltar a viver a história”, disse Ruzgar Mira Okan, engenheira turca de 27 anos que tentava se mover na multidão com uma câmera de vídeo na mão.

“Aqui a revolução está viva. Cuba continua desafiando os Estados Unidos”, acrescentou Okan. Ela fazia parte de grupo de 81 turistas turcos que participaram da manifestação em Havana.

Muitos foram a Cuba por meio de viagens organizadas por sindicatos e grupos políticos de países como Grã-Bretanha, México, Equador, Uruguai e França.

Outros vieram de lugares mais remotos como Vietnã, Nigéria, Japão, Congo e Israel.

A maioria vestia camisetas com a reprodução do rosto barbudo de Ernesto “Che” Guevara, o guerrilheiro argentino símbolo da revolução cubana de 1959.

Alguns usavam quepes militares verde oliva como o que usou o líder Fidel Castro durante quase meio século até ficar doente e sair do poder em julho de 2006.

Rasko Vukcevic, sérvio de 52 anos que reside em Melbourne, Austrália, ampliou suas férias para participar da marcha.

“Para a gente, é como voltar ao passado. No nosso país já não se fazem manifestações como esta”, disse, contendo as lágrimas que brotavam dos olhos.

Uma década e meia depois do fim da União Soviética e do mundo socialista, Cuba segue fiel a sua doutrina marxista.

Milhares de simpatizantes visitam todos os anos a ilha em programas de turismo revolucionário organizados pelo Instituto de Amizade com os Povos, estatal.

Outros, como o norueguês Markus Nilsen, simplesmente estavam em Cuba e seguiram a curiosidade. “Se você está em Havana num 1o de maio, tem que desfilar na praça da Revolução. É imperdível”, disse o estudante de 29 anos.

Veteranos militantes de esquerda, como o brasileiro José Vasconcelos, contam que vieram em busca de inspiração. “Tudo nos atrai no 1o de maio em Cuba, principalmente a garra, o civismo, o patriotismo que os cubanos têm”, disse o advogado de 56 anos.

A manifestação do Dia do Trabalho foi salpicada também por bandeiras de dezenas de países, da Argentina à Venezuela passando pelo Timor Oriental, nas mãos de muitos jovens estrangeiros que estudam gratuitamente medicina no país.

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