2 de Outubro de 2008 / às 22:10 / 9 anos atrás

Marta vai nacionalizar campanha e explorar relação Kassab-Maluf

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 2 de outubro (Reuters) - A campanha da candidata à prefeitura de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy, vai centrar a estratégia de segundo turno na nacionalização do embate com o provável rival, o prefeito Gilberto Kassab (DEM). O projeto de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será confrontado com o anterior, apoiado pelo DEM e pelo PSDB.

Voltam à tona questões como as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) versus o fortalecimento do porder público. A recessão versus o crescimento econômico, aponta o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

O debate lembra a eleição presidencial de 2006 e antecipa a sucessão de 2010.

"Vamos transitar nesses dois debates: o projeto municipal é objetivo, direto, baseado em experiências reais. A politização, o nacional, entrará de forma subjacente", afirmou Berzoini à Reuters nesta quinta-feira.

Caracterizando a eleição paulistana como "disputadíssima", Berzoini acredita que o pleito em São Paulo faz "conexão" com 2010 por envolver, de um lado, uma candidata do PT e, de outro, um político do DEM com fortes laços como governador José Serra (PSDB), potencial candidato à sucessão de Lula.

O presidente Lula também retornará à campanha de Marta, depois de participar de dois comícios no primeiro turno e de estar presente em depoimentos na propaganda de rádio e TV.

No último programa desta etapa, que foi ao ar na quarta-feira, Lula surgiu afirmando que "nós dois temos projetos e idéias muito parecidos".

No mesmo programa, Marta repetiu o que vem dizendo, com nuances, em relação ao presidente: "Eu e o presidente Lula temos o mesmo compromisso com São Paulo".

"Lula abre a porta do eleitor, mas tem que ter proposta, apoio político e aliança", disse o prefeito Edinho Silva, presidente do PT paulista.

ATAQUE AO PASSADO

Outra frente do PT será explorar o passado do DEM, partido de Kassab, que, segundo disse Marta nesta semana em discurso na periferia, representa o "retrocesso", o "atraso". Publicamente, ela só se refere ao partido, que trocou o nome de PFL para DEM, como DEMO. A legenda, historicamente aliada do PSDB, é vista como conservadora pelo partido e representa o maior opositor do governo Lula no Congresso Nacional.

As ligações de Kassab com o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), que deixou a prefeitura sob um escândalo, também serão exploradas. Por dois anos, Kassab foi secretário de Planejamento de Pitta, que, por sua vez, era cria do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1997).

Com isso, a campanha poderá atrair eleitores tucanos não identificados com o DEM e com Maluf.

Marta, que sucedeu Pitta na gestão da prefeitura, deve ainda expor a situação em que encontrou a administração, o que ela já vem comentando esporadicamente.

O tucano Geraldo Alckmin (PSDB), que deve ficar fora do segundo turno, se as pesquisas se confirmarem, tentou estratégia semelhante em relação a Kassab, apontando seu passado Pitta-Maluf, mas aparentemente sem surtir o efeito desejado.

"Isso não foi discutido na eleição. Eles (PSDB e DEM) estavam divididos. Optamos por não fazer ataques, deixar que eles brigassem. Agora é que vamos começar a discutir o passado dele (Kassab)", disse o deputado Carlos Zarattini (SP), coordenador da campanha petista.

Também voltam à cena as comparações entre as gestões de Marta e de Kassab. Ela administrou a cidade entre 2001 e 2004 e foi derrotada na tentativa de reeleição pela dupla Serra-Kassab.

PTB

Na busca por alianças para o segundo turno, o PT já pensa no PTB, que está com Alckmin no primeiro turno. "Acho possivel atrair. É natural o processo", acredita um dirigente petista.

O PTB, presidido pelo deputado cassado Roberto Jefferson, faz parte da base do governo Lula e ocupa uma de suas principais pastas, a de Relaçoões Institucionais.

Um assessor do PTB paulista afirmou à Reuters, no entanto, que dificilmente Campos Machado, presidente do PTB paulista e vice na chapa de Alckmin, apoiará a candidata Marta. "Ele está mais para Kassab", afirmou a fonte.

Edição de Mair Pena Neto

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