6 de Outubro de 2008 / às 00:41 / em 9 anos

ANÁLISE-Sem "coronéis", DEM "derrete" e vira partido parlamentar

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 5 de outubro (Reuters) - Apesar de uma possível vitória em São Paulo, o desempenho do Democratas neste primeiro turno mostra que o partido perdeu base política e se afirma como legenda parlamentar.

O DEM calcula ter lançado nestas eleições 1.252 candidatos, 12 deles em capitais, mas vai fechar a disputa municipal com patamar de vitórias bem abaixo da média histórica, segundo previsões próprias.

Em 2004, quando já apresentara sensível diminuição no número de eleitos por conta da chamada onda Lula, lançou 1.759 nomes e conquistou o comando de 790 cidades. Nas estimativas atuais, porém, considera uma proeza se eleger 400 prefeitos.

PFL até o ano passado, esta é a primeira eleição do partido desde que trocou de nome. O objetivo da mudança foi recuperar a perspectiva perdida de poder, estratégia que parece não ter dado certo neste primeiro teste das urnas.

“O DEM está derretendo. São Paulo não o salva. As perspectivas não são animadoras. Nenhum partido grande sofreu queda tão brutal quanto ele”, afirmou à Reuters o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).

“Vai virar um partido médio, parlamentar, e terá uma base pequena para usar de cabo eleitoral em 2010”, acrescentou.

O que analistas chamam de encolhimento político, muitos democratas classificam como renascimento partidário.

“Sabemos que não podemos alcançar o número de prefeitos do PT, PSDB e PMDB, mas mudamos de nome, de cara e de programa e estamos recomeçando”, disse o deputado Alcenir Guerra (DEM-PR), considerado um dos pensadores do partido.

“Acabou aquele modelo da forte influência dos nossos coronéis”, acrescentou.

PERDAS E GANHOS

Tradicionalmente a segunda maior legenda oposicionista do Brasil, o DEM ficou de fora em Salvador, onde esperava um desempenho melhor. ACM Neto (DEM-BA), que liderou boa parte das pesquisas, não passou para o segundo turno na capital baiana, reafirmando a tendência de desidratação política nos grandes redutos nordestinos.

A derrota acabou transferindo todas as fichas do partido para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ele disputará a reeleição com a petista Marta Suplicy. Se ganhar, será o filho único da sigla na liderança de capitais brasileiras.

“Ganhar em São Paulo significa ter presença assegurada na discussão sobre a vice-presidência da República”, disse Alcenir Guerra.

Nas eleições de 1996, ano de ouro para o então PFL, o partido lançou 2.239 candidatos e elegeu pouco mais de 900 prefeitos, puxado pela dobradinha vitoriosa do tucano Fernando Henrique Cardoso e do então pefelista Marco Maciel ao Palácio do Planalto, dois anos antes.

Segundo dados do DEM, o partido aumentou sua marca em 2000. Com 2.297 candidatos, elegeu pouco mais de mil prefeitos. Naquele ano, ficou em segundo lugar, perdendo apenas para o robusto PMDB, que obteve mais de 1.25O vitórias na ocasião.

Em 2004, no entanto, dois anos depois da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a base começou a se diluir drasticamente. Na época, lançou 1.759 candidatos e elegeu apenas 790. Nas capitais, fez apenas um prefeito, Cesar Maia, no Rio de Janeiro.

O resultado teve impacto direto na disputa majoritária de 2006, quando o partido só conseguiu emplacar o governo do Distrito Federal, perdendo seus tradicionais redutos no Nordeste.

“O DEM tem que dar uma reviravolta para reverter esse derretimento. Do contrário, em 2010, vai perder também representação parlamentar”, adicionou Fleischer.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below