2 de Janeiro de 2008 / às 11:04 / em 10 anos

Paquistão busca ajuda internacional em inquérito sobre Benazir

ISLAMABAD (Reuters) - O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, buscará ajuda internacional na investigação do assassinato da líder da oposição Benazir Bhutto, afirmou na quarta-feira um assessor dele.

Num pronunciamento à TV, Musharraf também deve pedir calma antes das eleições, que estavam marcadas para 8 de janeiro mas que vão ser adiadas por semanas. A Comissão Eleitoral anunciará uma nova data para o pleito depois do pronunciamento de Musharraf.

O Paquistão vem sendo pressionado pela comunidade internacional e pelo partido de Benazir, o PPP (Partido do Povo do Paquistão), a aceitar uma investigação externa do crime. Especialistas em evidências policiais acreditam que muitas provas se perderam na operação de limpeza depois do ataque que matou a ex-premiê, que foi alvo de tiros e de um homem-bomba.

Os paquistaneses acreditam cada vez menos no inquérito do governo, principalmente depois da declaração do Ministério do Interior de que o que matou a ex-premiê foi o choque de sua cabeça contra uma alavanca do teto solar do carro blindado em que ela estava. Assessores dela dizem ter visto ferimentos de bala e imagens da TV mostraram um homem armado atirando a pouca distância dela.

As autoridades divulgaram na quarta-feira fotos de uma cabeça decepada e de dois homens em meio à multidão antes do ataque. O governo ofereceu recompensa pela identificação dos homens.

Uma das imagens mostra um jovem barbeado de óculos escuros e atrás dele está um homem com um grande xale na cabeça que uma emissora de TV afirmou que pode ser do responsável pelo ataque à bomba.

Outras imagens e gravações de vídeo mostraram o jovem disparando uma pistola contra Bhutto quando ela deixava um comício em Rawalpindi, acenando para o público pelo teto solar do carro.

O PPP quer que as eleições sejam mantidas, para que possa aproveitar a onda de solidariedade. O assessor presidencial disse que a decisão de adiar a eleição deve-se a questões logísticas, em especial à destruição de seções eleitorais na violência que se seguiu ao assassinato. Ele negou que o objetivo seja evitar que o PPP se beneficie em cima do assassinato. “Como podemos achar que essa onda de solidariedade vá passar em umas poucas semanas?”

O governo acusa a Al Qaeda pelo assassinato, mas o Paquistão está dominado por teorias da conspiração dizendo que a ex-premiê foi morta por inimigos políticos. Musharraf governa o país desde 1999, depois de um golpe militar. Benazir Bhutto havia voltado ao Paquistão em outubro para participar da retomada da democracia.

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