2 de Abril de 2008 / às 23:54 / em 10 anos

ESPECIAL-Produtividade e meio ambiente aquecem mercado de pelota

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 2 de abril (Reuters) - A corrida para atender o forte crescimento da demanda mundial por pelota, produto nobre feito a partir do minério de ferro, está fazendo surgir novas pelotizadoras no Brasil e no mundo, mirando mercados promissores como China, Oriente Médio e Europa.

Reconhecida como mais eficiente e menos poluente do que o sinter, minério aglomerado por meio de cal e coque para produzir aço, a pelota vem ganhando cada vez mais espaço na preferência das siderúrgicas que desejam aumentar a produtividade e reduzir suas emissões.

Como efeito da maior procura, o preço da commodity -- ajustado normalmente dias após ao minério de ferro--, este ano conseguiu apenas um ajuste até o momento entre a Vale e a italiana Ilva, em percentual superior ao minério. Enquanto o ajuste do minério variou entre 65 e 71 por cento nos contratos da Vale, balizadora do mercado mundial, o preço da pelota terá aumento de 86,67 por cento.

Somente este ano, duas grandes plantas entram em operação no país, uma da Vale (VALE5.SA), de 7 milhões de toneladas, em Itabiritos (MG), e outra da Samarco, controlada por Vale e BHP Billiton (BHP.AX), em Ubu (ES), com o mesmo volume. A Vale programa uma oitava pelotizadora no Espírito Santo, com capacidade para 7,5 milhões de toneladas, que ficará pronta em 2010.

Outras empresas como Usiminas (USIM5.SA) e MMX também têm planos para pelotizadoras, sendo que a da Usiminas está prevista para entre 2013 e 2015, com 7 milhões de toneladas.

“O mercado siderúrgico continua forte, todo mundo quer aumentar a produção e pelota é muito eficiente no alto forno, a Samarco está entrando agora, depois entra nossa pelotizadora em Minas, que já está ficando pronta. Fizemos também ajustes nas sete pelotizadoras que temos em Tubarão”, disse à Reuters o presidente da Vale, Roger Agnelli.

Fora do país, a Vale prevê uma pelotizadora em Omã, no Oriente Médio, além de joint-ventures na China, como a de Zhuhai, ao sul da país, com objetivo de atingir 10 milhões de toneladas de pelotas por ano. As novas unidades vão se somar às nove pelotizadoras da Vale no Brasil, que juntas venderam 40,8 milhões de toneladas de pelotas em 2007, aumento de 20 por cento em relação ao ano anterior.

ORIENTE MÉDIO

Às vésperas de inaugurar a sua terceira pelotizadora, a Samarco, que exporta cem por cento do que produz, já pensa na quarta unidade e vê no Oriente Médio um cliente cada vez mais promissor.

“O Oriente Médio agora está tomando uma proporção mais importante para nós, por causa da demanda por pelota”, disse o diretor de operações da Samarco, Ricardo Vescovi, dando como exemplo a necessidade de aço da região para infra-estrutura.

Em 2007, o Oriente Médio ultrapassou todos os outros clientes da empresa, comprando 28 por cento da produção, enquanto as Américas ficaram com 15 por cento, China com 21 e Europa com 17 por cento.

Ele explicou que ao contrário do Brasil, a siderurgia do Oriente Médio é baseada em redução direta, e não em alto-forno, devido à abundância de gás natural. Na redução direta o carvão geralmente usado no alto-forno é substituído pelo gás natural, o que reduz o custo de produção, e normalmente se usa pelota no lugar do minério, para aumentar a produtividade.

A terceira pelotizadora da Samarco, investimento de 1,2 bilhão de dólares, será inaugurada no dia 18 de abril e vai aumentar a oferta da companhia em 54 por cento, para 20,6 milhões de toneladas, elevando de 14 para 19 por cento a sua participação no mercado mundial.

“Já estamos com toda a produção vendida para as nossas três pelotizadoras. Depois que a terceira entrar em operação, vamos fazer o mesmo tipo de estudo e, se tiver espaço, temos muita disposição de fazer (a quarta)”, afirmou.

A proposta da quarta pelotizadora já recebeu o ok do Conselho de Administração da empresa para entrar na fase de estudos.

Já a Companhia Siderúrgica Nacional CNSA3.SA optou por construir apenas pelotizadoras para consumo próprio e por atrair seus clientes para produzir pelotas no Brasil, garantindo assim mercado para os seus “pellets feed”, um produto entre o minério e a pelota.

“Se você comparar quais são as margens que você obtém vendendo ‘pellet feed’, as margens de pelotas são muito menores”, explicou o diretor-executivo da área de mineração da CSN, Juarez Saliba.

Ele informou que a empresa está conversando com outros consumidores de pelotas fora do Brasil para construir pelotizadoras no país, mas não revelou quais seriam os possíveis parceiros, mas, segundo ele, “são de grande porte”.

Para convencer os futuros sócios o executivo conta, além do volume e qualidade da matéria-prima brasileira, com apelos ambientais visando o futuro da siderurgia.

“Consigo convencer os outros pelo problema ambiental na Europa, o sinter é uma das grandes áreas poluidoras dentro de uma usina siderúrgica, e com as restrições ambientais ocorridas na Europa, é mais vantagem para essas usinas fazerem pelotização no Brasil do que reformar os alto-fornos por lá”, afirmou.

“Acho que para a indústria de aço, a pelota é a matéria prima do futuro, seja na produtividade, seja nas questões ambientais”, concluiu.

Edição de Marcelo Teixeira

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