3 de Setembro de 2008 / às 22:46 / em 9 anos

Leilão de áreas de petróleo e gás em terra divide indústria

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A decisão do governo de realizar a 10a rodada de licitações de áreas de petróleo e gás natural apenas em blocos em terra foi bem recebida por parte da indústria de petróleo, que vê na medida a continuidade dos leilões que ocorrem desde 1999.

Já o representante de empresas independentes de petróleo afirmou que não existem mais áreas atraentes em terra, apenas com muito risco, principalmente para conseguir licenças ambientais, como blocos na Amazônia.

“Só sobraram áreas residuais que não tem muito interesse, é a crônica de uma morte anunciada”, disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo, Wagner Freire.

Segundo ele, além da bacia do Amazonas deverão ser licitados também blocos nas bacias do Paraná, Parnaíba, Solimões, Acre.

“Espírito Santo, Recôncavo, Alagoas-Sergipe e Potiguar são as melhores, mas não têm áreas prospectadas sem investidores já explorando...o bom de Sergipe-Alagoas está preso na 8a rodada”, informou, referindo-se ao leilão de 2006 suspenso na Justiça e que só terá uma solução no final do ano.

A Petrobras informou por meio da sua assessoria que ainda vai avaliar as condições do leilão para saber se estará presente, assim como a OGX, do empresário Eike Batista, e a norte-americana Devon.

“Vamos ter que olhar todas as áreas. O fato de ser em terra não quer dizer nada, na última rodada compramos dois blocos em terra no Maranhão. Vamos ter que ver a conveniência”, informou a Devon.

“Mas a decisão é muito boa porque mostra continuidade do processo e vai garantir investimentos no país até decidirem o que farão com as áreas do pré-sal”, complementou a companhia norte-americana.

O analista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, também considerou uma boa decisão, apesar de cercada de cuidados exagerados.

“É uma boa notícia, porque pelo menos teremos a 10a rodada, mas eles exageraram, poderiam ter colocado áreas em águas rasas. No fundo eles não queriam fazer rodada nenhuma, mas com a pressão do mercado sairam com essa”.

Segundo ele, as grandes empresas não terão interesse, e a Petrobras só deverá ir se o governo obrigar.

“As grandes petroleiras não tem nenhuma razão para participar, a Petrobras só vai se for obrigada pelo governo e para dar um pouco de charme no leilão...talvez a OGX entre, mas vão ser pequenas e médias”, avaliou.

O governo anunciou também que vai realizar em 2 de dezembro a 3a “rodadinha”, leilão composto apenas de campos marginais, ou já em produção, que requerem investimentos para aumentar a rentabilidade dos poços.

“São os marginais dos marginais, não dão camisa a ninguém, o filé mingnon dos marginais ainda está com a Petrobras, que deveria devolver para a ANP”, disse Freire da Abpip.

A Abpip reúne 14 empresas de petróleo que atuam no país, entre elas a Petrogal e a Partex, que são sócias da Petrobras no pré-sal.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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