3 de Março de 2008 / às 14:36 / em 10 anos

Brasil vai atuar para reduzir tensão regional com Colômbia

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro prometeu nesta segunda-feira mobilizar “toda a força” de sua diplomacia para tentar reduzir ao máximo a tensão entre Colômbia, Equador e Venezuela, após o envio de tropas para regiões de fronteira e o fechamento de embaixadas dos países.

Venezuela e Equador enviaram tropas para as fronteiras com a Colômbia, no domingo, como resposta a um ataque de forças colombianas que mataram rebeldes das Farc em território equatoriano.

“Acho que nós vamos mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão e procurar encontrar uma solução duradoura para esse problema”, disse o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, em entrevista à rádio CBN.

Em outro episódio da tensão diplomática na região, o governo do Equador expulsou o embaixador colombiano em Quito e retirou o seu de Bogotá.

Segundo Garcia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai conversar com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para coordenar os esforços diplomáticos. O Chile também quer participar da resolução do conflito, de acordo com o assessor.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, telefonou para seus colegas de Equador e Colômbia para buscar uma solução diplomática para o impasse, iniciado após a Colômbia ter matado o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, no sábado.

“O importante no momento atual é reduzir ao máximo a tensão... e retomar as iniciativas que vinham sendo conduzidas para conseguir um acordo humanitário”, disse Garcia, em referência à libertação este ano de alguns reféns que eram mantidos em cativeiro na selva pelas Farc.

“Esse conflito, que é um conflito interno da Colômbia... também começa a ter influência na desestabilização das relações regionais”, acrescentou.

Em resposta à morte do guerrilheiro Raúl Reyes e outros 15 rebeldes, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ajudou na intermediação para a libertação dos reféns, enviou tanques para a fronteira com a Colômbia e mobilizou aviões militares, enquanto o presidente equatoriano Rafael Correa intensificou a presença militar de seu país na fronteira.

Garcia acrescentou que o conflito é um problema sul-americano e deveria ser resolvido pelos países da região.

“Nós não queremos interferir em ações internas, mas nosso princípio de não interferência não pode significar indiferença por parte do Brasil”, afirmou na entrevista.

Em Genebra, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, pediu ajuda internacional ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar a libertar centenas de pessoas mantidas como reféns pelas Farc.

O ministro francês de Relações Exteriores, Bernard Kouchner, disse que Reyes era o contato da França nas negociações para tentar a libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, que é mantida refém na selva há seis anos.

Reportagem de Raymond Colitt, com colaboração de Pedro Fonseca

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