3 de Outubro de 2008 / às 21:16 / 9 anos atrás

BOVESPA-Sinais de recessão ofuscam plano e índice desaba de novo

(Texto atualizado com mais informações e fechamento oficial)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 3 de outubro (Reuters) - Poderia ser o fim do pânico que devastou os mercados nas últimas semanas, mas o que se viu após o aval legislativo ao pacote para salvar o sistema financeiro dos Estados Unidos foi muito ceticismo. O movimento empurrou a Bolsa de Valores de São Paulo ao menor patamar em 19 meses.

O Ibovespa .BVSP fechou a sexta-feira com baixa de 3,53 por cento, a 44.517 pontos. Com uma queda de 12,3 por cento em apenas uma semana, a pior do ano, o índice acumula desvalorização de 30 por cento em 2008.

O giro financeiro do pregão totalizou 5,03 bilhões de reais.

"Ainda tem muita gente cética", afirmou Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Nas primeiras horas da sessão, o índice chegou a disparar mais de 4 por cento, movido pela expectativa dos investidores pelo sim dos deputados norte-americanos ao socorro proposto por Washington a grandes instituições atingidas pela crise.

Isso mesmo após novos sinais de que a economia norte-americana está entrando em recessão. O país fechou 159 mil postos de trabalho em setembro, a maior queda em cinco anos e meio.

E foi justamente para a economia que as atenções se voltaram após a tão aguardada aprovação do pacote pela Câmara. O índice Dow Jones .DJI recuou 1,5 por cento, arrastando os mercados internacionais.

Para profissionais do mercado, embora a chancela para o plano seja um dado positivo, os investidores ainda estão apreensivos com a falta de liquidez no mercado.

SETOR FINANCEIRO

No mercado doméstico, as ações de bancos e empresas financeiras foram as que mais pressionaram o índice. BM&F Bovespa (BVMF3.SA) sintetizou o ânimo dos investidores, desabando 13,6 por cento, a 7,25 reais. Dentre os bancos, as units do Unibanco UBBR11.SA puxaram a fila, com um mergulho de 10,0 por cento, para 16,32 reais.

Quem já não precisava de nenhuma incerteza para ser massacrada era Aracruz ARCZ6.SA, depois de a companhia de celulose ter anunciado que suas apostas no mercado de derivativos causariam prejuízo de 1,95 bilhão de reais caso as operações fossem liquidadas em 30 de setembro. Resultado: as ações derreteram 24,8 por cento, a 4,85 reais.

"Esperamos que o impacto negativo de curto prazo nas ações da companhia deve persistir", disse o analista Rogerio Zarpão, do Unibanco, em relatório. A agência Standard & Poor's colocou o rating da companhia em observação negativa.

Dentre as blue chips, Vale (VALE5.SA) teve uma performance mais moderada ao recuar 1,5 por cento, para 28,96 reais. Petrobras (PETR4.SA) perdeu 3,3 por cento, a 31,00 reais.

VENDA A DESCOBERTO

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou nesta tarde que não pretende copiar a decisão das autoridades de mercado de outros países de proibir as operações de venda a descoberto de ações.

"A CVM... não identifica, até aqui, a prática abusiva desta estratégia em nosso mercado", informou a autarquia em comunicado.

Edição de Daniela Machado

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below