3 de Dezembro de 2007 / às 09:17 / 10 anos atrás

COLUNA-Selic no "freezer" traz atividade para primeiro plano

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) tem a última reunião de 2007 na semana que vem e o juro básico deve permanecer inalterado pela segunda vez consecutiva em 11,25 por cento ao ano.

O absoluto consenso em torno desse resultado não diminui a atenção do mercado à movimentação do Banco Central, que tende a reafirmar seu alerta ao pique da atividade como importante fator de risco para a inflação no ano que vem.

Horas antes de o Copom anunciar a taxa Selic que estará em vigor até 23 de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar o desempenho da produção industrial em outubro, dará munição à defesa do BC a favor da condução de uma política monetária prudente.

“Todos os indicadores antecedentes mostram que a atividade está muito forte e esta é exatamente a maior preocupação do Copom. Qualquer deslize pode gerar inflação a médio prazo”, comenta Cassiana Fernandez, economista da Mauá Investimentos.

Ela explica que os dados da indústria em outubro têm particular relevância porque setembro foi um mês mais fraco, com a produção mensal mostrando leve queda.

“A queda em setembro levantou a suspeita de que a indústria poderia ter atingido o pico, mas os indicadores de outubro confirmam o contrário. O comportamento da indústria em setembro foi pontual e não o início de uma trajetória de acomodação. Esperamos, inclusive, que a produção continue forte até dezembro”, acrescenta Cassiana.

Ela pondera que o cancelamento de férias coletivas por empresas de diversos segmentos, novidade em anos, é mais um sinal que aponta para um fechamento de ano “muito forte”.

EXPANSÃO CONTÍNUA

Este final de ano deve alterar também os indicadores de atividade do início de 2008. A economista da Mauá Investimentos explica que para compensar o fraquejo de dezembro, tradicionalmente janeiro mostra fôlego maior.

“Na transição deste ano para o próximo, a indústria deve revelar expansão contínua e confirmar uma economia robusta. O movimento positivo, que também deverá ser considerado pelo Copom nos próximos meses, é a produção muito concentrada em bens de capital.”

Outro foco de atenção do mercado é a evolução do uso da capacidade instalada, cuja “expansão tende a diminuir a pressão ou o descompasso entre demanda e oferta de bens na economia”.

Cassiana Fernandez acredita que a questão que o Copom colocará em discussão, sobretudo agora, é se a capacidade de produção das indústrias crescerá antes da inflação exibir suas garras.

“Nós avaliamos que os investimentos estarão maduros antes da inflação de demanda. No curto prazo, há um repique dos preços dos alimentos, mais pressionados a partir de agosto com a alta do leite, que arrefeceram. Nas últimas duas semanas, porém, a pressão dos alimentos foi retomada, mas consideramos temporária.”

NOVO CORTE MAIS ADIANTE

Simulações feitas pelos economistas da LCA Consultores indicam que a utilização da capacidade instalada das indústrias deverá mostrar descompressão nos próximos meses.

A LCA reconhece, entretanto, que as leituras de recuo mais consistente desse indicador somente deverão ser conhecidas mais ao final do primeiro trimestre de 2008.

Esta percepção, combinada à persistente incerteza no ambiente internacional, levou a consultoria a alterar sua expectativa de retomada de corte da taxa Selic --de janeiro para março. A consultoria espera Selic de 9,75 por cento ao ano no final de 2008.

A LCA desenvolveu um modelo específico de projeção do nível de utilização da capacidade instalada e após fazer aprimoramentos concluiu que o prazo estimado de maturação dos investimentos, antes de 10 meses em média, avançou ao intervalo de 10 a 14 meses.

Nos próximos 10 meses, conta a consultoria, estarão prontos os investimentos feitos até setembro de 2007.

CENÁRIO EXTERNO E CPMF

A Mauá Investimentos espera queda da Selic no segundo trimestre de 2008 e taxa de 10 a 10,5 por cento em dezembro.

Embora atenta à atividade econômica interna e suas implicações monetárias, Cassiana Fernandez atribui alta relevância ao cenário externo “por seu impacto no câmbio”.

Ela entende que o câmbio valorizado é o que permite à economia brasileira crescer ao ritmo de 5 por cento, sem constrangimentos impostos pela inflação.

“Quanto maior a volatilidade dos mercados internacionais, maior a volatilidade dos ativos domésticos... mas não contamos com desvalorização mais forte do real. Nossa projeção para o dólar no final de 2008 é de 1,80 a 1,85 real.”

A Mauá também coloca em foco a política, destacando maior deterioração do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, neste sentido, as negociações em curso para a aprovação da proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF é emblemática.

“As barganhas são explícitas, mas se o acordo atual for aprovado até o fim do ano seria um ganho porque existe a possibilidade de redução progressiva da alíquota.”

Cassiana insiste que a Mauá Investimentos não considera em nenhuma hipótese a extinção da CPMF.

“Temos um cenário de risco muito elevado de aprovação no ano que vem, caso em que, estimamos, a perda de receita deve ser de aproximadamente 10 bilhões de reais.”

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