3 de Junho de 2008 / às 12:33 / em 9 anos

Bens de capital e duráveis puxam indústria em abril

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção industrial brasileira cresceu em ritmo ligeiramente abaixo do esperado em abril, mostrando, segundo o IBGE, que o setor se encontra estabilizado em um patamar elevado. Já a taxa na comparação anual recuperou-se fortemente e foi a maior desde outubro.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira, a expansão foi liderada pelos bens de capital, o que é uma boa notícia no front de investimentos, e também pelos bens de consumo duráveis.

A produção geral subiu 0,2 por cento em abril sobre março e 10,1 por cento em relação a abril de 2007. A expansão anual foi estimulada em parte por um dia útil a mais. Analistas consultados pela Reuters previam expansão de 0,4 por cento mês a mês e de 10,3 por cento ano a ano.

Segundo a gerente de análises estatísticas do instituto, Isabella Nunes, em abril a indústria se encontra 0,6 por cento abaixo do patamar recorde registrado em outubro de 2007. “Na margem, podemos dizer que há uma acomodação em um patamar elevado, após um longo período de crescimento em 2007.”

“O desenho da acomodação vem desde fevereiro e esse movimento se confirma em abril”, acrescentou.

O dado da indústria de março foi revisto de alta inicialmente divulgada de 0,4 por cento para crescimento de 0,6 por cento.

BENS DE CAPITAL E DURÁVEIS

Isabella frisou que a acomodação da indústria não é generalizada e os setores de bens de capital e bens de consumo duráveis estão “em clara evolução”. “São setores diferentes de toda a indústria. Os bens de capital estão batendo recordes sucessivos e são importantes por serem uma projeção de investimento”, disse ela.

Em abril em relação a março, entre as categorias de uso, apenas a atividade de bens de capital apresentou expansão, de 1,6 por cento.

A produção de bens intermediários recuou 0,2 por cento; a de bens de consumo duráveis caiu 1,9 por cento e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis declinou 1,5 por cento.

Na comparação com abril de 2007, os duráveis cresceram 22,4 por cento e registraram a maior taxa desde junho de 2005, enquanto a atividade de bens de capital saltou 30,1 por cento e teve o maior nível desde agosto de 2004.

“Isso pode ser explicado por dois movimentos. Há um aumento da demanda interna puxada pelo crédito e pelo crescimento da renda e, pelo lado do empresário, há um aumento na confiança e ampliação das linhas de financiamento. Isso cria um ambiente favorável ao investimento”, analisou a economista do IBGE.

A atividade de bens intermediários avançou 5,9 por cento ano a ano e a de bens semiduráveis e não duráveis subiu 5,3 por cento.

Entre os setores, na comparação mês a mês 16 setores tiveram aumento da atividade, enquanto 11 registraram retração. O destaque foi Refino de petróleo e produção de álcool (+7,3 por cento).

Em relação a abril de 2007, 21 dos 27 setores pesquisados tiveram expansão, com destaque para Veículos automotores (28,0 por cento), Máquinas e equipamentos (16,6 por cento) e Outros equipamentos de transporte (54,8 por cento).

O IBGE acrescentou que nos quatro primeiros meses de 2008, a atividade acumula expansão de 7,3 por cento e nos últimos 12 meses, de 7 por cento.

Isabella calculou que se o ano se encerrasse em abril, a produção avançaria 3, 5 por cento e, se o padrão de abril fosse mantido para o resto do ano, a expansão industrial seria de 3,8 por cento.

Por Rodrigo Viga Gaier; Edição de Vanessa Stelzer

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