3 de Junho de 2008 / às 21:17 / em 9 anos

BNDES avalia participar de siderúrgica da Vale no Pará

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta terça-feira que a instituição tem interesse e pode ser sócia do projeto siderúrgico que a Vale organiza no Pará.

“Considerando o interesse brasileiro em ter um empreendimento siderúrgico no Norte e no Pará, nós podemos participar também como sócio. Ainda estamos em tratativas, mas oferecemos essa possibilidade para viabilizar o empreendimento”, disse Coutinho durante o 1o Encontro Nacional de Siderurgia.

Também nesta terça-feira, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que o projeto é para uma usina com capacidade de 2,5 milhões a 5 milhões de toneladas por ano. O executivo afirmou que, ao contrário de outros projetos siderúrgicos estimulados pela empresa no país, a siderúrgica no Pará poderá ser feita sem sócios. [ID:nB861949]

Coutinho calculou que um projeto pode exigir investimentos de 5 bilhões de dólares.

O presidente do BNDES explicou que há um limite para a participação da instituição de fomento, mas que esse teto ainda não foi definido. “Não podemos dizer agora de quanto vai ser, mas com certeza há um limite.”

Durante a palestra aos empresários do setor, Coutinho convocou novos investimentos no Brasil na área. Segundo ele, os financiamentos do banco para o setor siderúrgico ainda não deslancharam.

“A gente gostaria de ver um esforço maior do setor siderúrgico no Brasil. Eles têm uma carteira de investimentos de 46 bilhões de reais para os próximos três ou quatro anos”, disse Coutinho. “Gostaríamos que isso se ampliasse porque estamos vendo que o desenvolvimento das cadeias automotiva, de bens de capital, complexo naval e construção civil demandam muito aço e não existe desenvolvimento sem aço.”

Apesar dos investimentos do setor serem considerados por Coutinho como insuficientes, ele não vê risco de o Brasil importar fortemente aço nos próximos anos.

Empossado nesta terça-feira, o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Flávio Azevedo, discordou do presidente do BNDES e afirmou que o setor está fazendo os investimentos necessários para atender a demanda nacional nos próximos anos.

“Não concordamos com essa posição. Os investimentos são necessários e corajosos. O que está sendo feito é suficiente para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou o executivo.

“Não existe siderurgia sem mercado interno. A China produz quinhentos milhões de toneladas e exporta só dez por cento”, acrescentou, lembrando que historicamente trinta por cento da produção nacional é destinada ao mercado externo.

Segundo Azevedo, o setor vai investir 33 bilhões de dólares até 2013, elevando a capacidade produtiva de 41 para 63 milhões de toneladas anuais. Em 2007, a demanda interna foi de 22 milhões de toneladas, de acordo com dados do IBS. A demanda interna prevista para 2013 deve oscilar entre 30 e 40 milhões de toneladas.

“O setor está investindo, e muito... Estamos fazendo o nosso papel. Abastecemos o mercado interno e ainda exportamos o excedente. Não há risco de ter que se importar (no futuro),” declarou Azevedo.

Texto de Alberto Alerigi; Edição de Roberto Samora e Denise Luna

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