4 de Setembro de 2008 / às 16:14 / 9 anos atrás

Menos reajustes salariais ganham da inflação no 1o semestre

Por Daniela Machado

SÃO PAULO, 4 de setembro (Reuters) - A inflação afetou as negociações salariais no primeiro semestre, mas não de forma decisiva, avaliou o Dieese nesta quinta-feira ao divulgar que cerca de 86 por cento dos aumentos definidos de janeiro a junho no país foram iguais ou superiores ao INPC.

Esse percentual é menor que o visto na primeira metade dos últimos dois anos, mas supera o registrado no período entre 1996 e 2004.

“(Além da inflação) deve-se considerar a ocorrência de outros fatores no desempenho das negociações”, como crescimento econômico e expansão do nível de emprego, destacou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, que considera prematuro projetar o efeito da inflação sobre os próximos reajustes de salário.

“Dados mais recentes apontam certa acomodação dos preços, sugerindo mais a existência de um realinhamento de preços do que um processo de descontrole inflacionário.”

Ainda assim, analistas vão monitorar de perto as próximas negociações pelo receio de inércia inflacionária. Categorias de peso, como a dos metalúrgicos --que já iniciaram paralisações-- e dos bancários têm data-base no segundo semestre.

De 309 negociações analisadas pelo Dieese, 14 por cento apresentaram reajuste insuficiente para recuperar o valor de compra dos salários no ano anterior. Em igual período do ano passado, esse percentual era de apenas 3 por cento.

Os reajustes iguais ao INPC corresponderam a 12 por cento do total, ante 10 por cento em 2007. Quanto aos reajustes com ganho real, a parcela caiu de 87 para 74 por cento.

Comércio e indústria foram os setores com maior concentração de reajustes superiores à inflação. O setor de serviços ficou com os resultados mais modestos.

“A gente tem visto o mercado de trabalho muito aquecido e, para algumas categorias, isso dá poder de barganha um pouco maior”, comentou o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.

“Apenas o repasse nominal (no primeiro semestre) está na faixa de 6 a 7 por cento e isso já traz possibilidade de manter uma inércia elevada. Nesse contexto, é importante o Banco Central mostrar que não vai permiter espiral de preço-salário.”

Metalúrgicos no interior de São Paulo suspenderam a produção de pelo menos quatro montadoras na quarta-feira em protesto de 24 horas contra o reajuste proposto pelas empresas.

Os trabalhadores pedem aumento de 18,83 por cento, além de gatilho salarial toda vez que a inflação atingir 3 por cento. As montadoras ofereceram na última negociação reajuste de 1,25 por cento mais inflação, segundo os metalúrgicos.

Edição de Isabel Versiani

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