5 de Novembro de 2007 / às 19:16 / em 10 anos

ESPECIAL-Indústria brasileira de remédios busca América Latina

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O primeiro passo é contratar representantes comerciais nos maiores mercados latino-americanos, mas os fabricantes brasileiros de medicamentos têm ambições maiores: planejam também pesquisar e produzir nesses países e até adquirir pequenos laboratórios no Sul da Europa.

O Cristália, que atua nos segmentos farmacêutico (medicamentos) e farmoquímico (matéria-prima), está iniciando a investida externa na Argentina com um escritório para comercialização de cerca de oito produtos considerados “consistentes” entre os 250 de toda a sua linha. Em outros países da região, ele tem a Organon como distribuidora.

A segunda etapa na Argentina é a formalização de um acordo com um laboratório do país vizinho para produção cruzada. “Existem negociações em andamento que podem redundar em cooperação nas duas mãos. Algumas coisas que vamos produzir para um laboratório de lá e eles, para nós”, disse o presidente do Conselho de Administração do Cristália, Ogari Pacheco, à Reuters.

A fase seguinte será o investimento em um laboratório de capital argentino e bem posicionado, segundo Pacheco, apoiando a expansão de uma fábrica já existente. Ele se recusou a antecipar nomes. “Estamos procurando complementaridade em anestesia e anti-retrovirais, também em produtos de fins estéticos”, afirmou.

Tacada semelhante fez o laboratório Aché, que fechou este ano parceria com a farmacêutica mexicana Silanes. Eles já fizeram troca de produtos --um cardiológico da brasileira e um de diabetes da parceira-- mas a aposta mesmo é em desenvolver pesquisa conjunta.

“A consolidação da indústria é justamente para fortalecer capacidade de pesquisa. Existe a possibilidade de ser mais agressivo internacionalmente, mas não montar um laboratório do zero”, comentou nesta segunda-feira o principal executivo do Aché, José Ricardo Mendes da Silva.

Ele defende que a internacionalização das empresas brasileiras se dê a partir de parcerias, do aprendizado da cultura local. Mas isso não limita as ambições, que incluem aquisições de pequenos laboratórios europeus.

“Temos analisado pequenas operações no mercado europeu, no Sul da Europa”, afirmou à Reuters. “Operações de menor porte em Portugal, Espanha, Itália, principalmente para parceria neste momento”, disse.

O que difere as estratégias de Cristália e Aché é a aposta no desenvolvimento de princípios ativos. O primeiro é considerado um laboratório que aposta na produção vertical, enquanto o segundo crê na exportação de produtos acabados. No entanto, ambos têm medicamentos totalmente desenvolvidos no Brasil.

Mas ainda são modestas as exportações. No caso do Aché, apenas 0,2 por cento do faturamento anual, ou cerca de 2 milhões de dólares em 2006. Além de mercados latino-americanos como Venezuela e países da América Central, fez vendas recentemente para Cabo Verde e sonda a receptividade de outros países africanos de língua portuguesa, Angola e Moçambique, para medicamentos cardiológicos.

“A gente procura não exportar commodity”, declarou Silva. “Na minha visão, quanto mais valor agregado, mais tecnologia, melhor. Se o Brasil conseguir exportar medicamentos, muito melhor. É preciso desenvolver moléculas novas, a partir de uma planta desenvolver um princípio ativo atuante”, acrescentou.

Com essa proposta em mente, o Aché estuda exportar o Acheflan para os Estados Unidos. O antiinflamatório tópico feito a partir do extrato de uma planta brasileira foi descoberto depois de sete anos de estudos e mais de 15 milhões de reais de investimentos.

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