6 de Março de 2008 / às 16:39 / em 10 anos

Glencore e Vale lutam por ganhos em acordo por Xstrata

Por Eric Onstad

LONDRES (Reuters) - A Vale e a trading de commodities Glencore terão enormes ganhos se conseguirem resolver a disputa por direitos de comercialização, impasse que trava as negociações para a aquisição da Xstrata pela mineradora brasileira.

Informações importantes que vão de acordos ao mercado de commodities são o segredo do sucesso da Glencore, que deve manter a pressão para ampliar os direitos nas negociações numa eventual compra da Xstrata pela Vale por cerca de 90 bilhões de dólares.

A Vale afirmou que as negociações chegaram a um impasse devido às exigências da Glencore, maior acionista da Xstrata, sobre os direitos de comercialização dos produtos da empresa final.

“Para a Glencore, é disso que se trata o acordo (de aquisição), os direitos de comercialização são tão valiosos para eles porque com base nisso eles conseguem informações”, disse um gerente de um hedge fund em Londres que pediu para não ser identificado.

“As opções que eles podem conseguir com a combinação com a Vale é enorme”.

As três partes teriam concordado com um preço de cerca de 45 libras por ação pela Xstrata, que tem base na Suíça e é listada em Londres, e com a estrutura do acordo com pouco mais de 50 por cento em ações e o resto em dinheiro, disseram na quinta-feira fontes próximas à situação.

De acordo com as fontes, as partes, ainda divididas sobre a questão dos direitos de comercialização, deram um tempo nas negociações para avaliar suas posições.

INFORMAÇÕES

A questão dos direitos de comercialização superou o preço como a principal questão de barganha, já que a Glencore construiu seu negocócio em torno de informações decisivas dos dois lados da equação oferta/demanda --operações de mineração e clientes-- já que negocia uma série de materiais, de carvão a cobre.

A suíça Glencore, que tem participação de 35 por cento na Xstrata, exigiu contratos de 10 anos para comercializar a produção da empresa resultante, exceto o minério de ferro, disseram fontes.

A Vale oferece apenas contratos de cinco anos, excluindo tanto o minério de ferro quanto o níquel.

O presidente da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil e um dos principais acionistas da Vale, Sérgio Rosa, disse esta semana no Brasil que além do minério e do níquel, a comercialização do carvão também deveria ficar com a Vale.

Estima-se que o atual acordo da Glencore com a Xstrata valha de 200 a 400 milhões de dólares por ano em renda, mas o valor pode dobrar se forem adicionados os metais não-ferrosos da Vale, disse a Bernstein Research em nota.

Outro gerente de hedge fund em Nova York disse que os direitos de comercialização são valiosos, mas não devem ser o que vai impedir um acordo.

“Estimamos que valha algo entre 1 e 3 bilhões em valores líquidos, então se isso for colocado no contexto dos 30 bilhões de dólares que a Glencore terá, é muito pequeno”, disse ele.

A Vale é o maior produtor de mundo de minério de ferro e a aquisição da Xstrata daria a ela o topo do ranking também em níquel.

Bernstein concorda que um acordo é provável.

“Acreditamos que a Glencore lucra muito mais com a apreciação de capital e dividendos em seu investimento na Xstrata do que com os ganhos comerciais por acordos de comercialização, e, portanto, ficaríamos surpresos se a Glencore abandonar um acordo em potencial com a Vale apenas nessa base”, disse.

Já a Vale lucraria com a aquisição da Xstrata não somente em sinergia e tamanho, mas também ao absorver o conhecimento da Glencore.

Reportagem adicional de Eleanor Wason

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