6 de Outubro de 2008 / às 14:24 / em 9 anos

ATUALIZA2-Crise ainda não chegou ao mercado interno, diz Anfavea

(Texto atualizado com comentários do presidenta Anfavea)

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 6 de outubro (Reuters) - Um eventual impacto da crise de crédito internacional sobre as vendas internas de veículos no Brasil ainda não se fez sentir, apesar dos prazos de financiamento terem se reduzido, e a indústria de veículos continua confiante na manutenção de investimentos de 23 bilhões de dólares entre este ano e 2011, informou a entidade que reúne as montadoras instaladas no Brasil, Anfavea.

A entidade divulgou nesta segunda-feira que as vendas de veículos novos no Brasil cresceram 9,8 por cento em setembro em relação a agosto, para 268,7 mil unidades, e subiram 31,7 por cento na comparação com o mesmo mês de 2007.

“Não houve nada de diferente em setembro, estamos em ritmo normal. Aliás, os primeiros dias de outubro mostram crescimento de vendas sobre setembro... Ainda é muito cedo para se imaginar qualquer tipo de restrição ao mercado vinculado ao crédito”, disse o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Os comentários foram feitos em resposta a perguntas de jornalistas sobre um eventual impacto da crise internacional no Brasil, num dia em que a Bolsa de Valores de São Paulo teve seus negócios interrompidos por duas vezes, após queda que chegou a 15 por cento, e depois que duas montadoras anunciaram férias coletivas.

A General Motors (GM.N) anunciou no final da tarde de sexta-feira que vai conceder férias coletivas a trabalhadores de algumas linhas de três fábricas do país entre 20 de outubro e 2 de novembro. Além disso, a Fiat FIA.MI, divulgou férias coletivas para cerca de 2 mil funcionários a partir da próxima semana.

Para Schneider, as decisões das duas montadoras não têm relação com o mercado interno.

O presidente da Anfavea afirmou que no caso da GM a decisão decorre de parada de algumas linhas de produção por conta de queda de compras de clientes externos na África do Sul, México e Argentina e no caso da Fiat a decisão foi tomada para cumprir férias que já estavam atrasadas e não foram concedidas entre junho e julho, como estava previsto, por causa das vendas aquecidas do mercado interno.

“A fotografia que temos neste momento do mercado interno é que nós não tivemos um impacto (da crise internacional)”, afirmou Schneider, evitando fazer previsões sobre os desdobramentos da crise no país.

“Qualquer previsão não pode ser feita em cima de um período curto de tempo. Quem planeja no olho do furacão tende a tomar decisões erradas.” Para ele, as reduções nos prazos de financiamentos, para uma média de 42 meses ante prática anterior de parcelamentos que chegavam a ficar acima de 60 meses, decorre da “emoção” do mercado.

“Não sinto tendência duradoura de redução nos prazos de financiamento. Acho que pode haver um aumento de emoção (dos agentes financeiros), mas isso se normalizará”, afirmou Schneider. Em agosto --dados mais recente--, 65 por cento das vendas de veículos novos no Brasil foram feitas parceladas.

Em setembro, a produção de veículos caiu, mas afetada por paralisações de funcionários durante as negociações salariais. A queda foi de 4,3 por cento na comparação com agosto. Sobre setembro de 2007, houve avanço de 18,0 por cento, para 298,4 mil unidades.

PREVISÕES PARA O ANO

A Anfavea manteve previsão de que a indústria de veículos do Brasil vai ter um aumento de 24,2 por cento nas vendas internas em 2008 sobre 2007, para 3,06 milhões de unidades. Manteve também a estimativa de produção 15 por cento maior ante 2007, para 3,425 milhões. Ambas são recorde histórico.

No acumulado de janeiro a setembro, as vendas de novos veículos subiram 27 por cento, para 2,21 milhões de unidades. A produção nos primeiros nove meses do ano teve alta de 19,9 por cento, a 2,62 milhões de unidades.

As exportações de veículos novos e máquinas agrícolas recuaram 7,3 por cento em setembro sobre agosto, para 1,26 bilhão de dólares. Na comparação anual, as vendas externas em valor subiram 8,1 por cento. Justamente, as vendas externas estão sendo afetadas pelo ambiente da internacional, de acordo com Schneider.

Em setembro, a Fiat FIA.MI liderou as vendas do setor, com 60.617 unidades de automóveis e comerciais leves comercializadas, 8,6 por cento acima do vendido em agosto.

A Volkswagen (VOWG.DE) aparece em seguida, com 55.398 unidades vendidas e General Motors (GM.N) vem depois com 54.774. A Ford (F.N) ficou em quarto, com 26.811 unidades.

Edição de Vanessa Stelzer

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below