7 de Abril de 2008 / às 12:09 / em 10 anos

Acionista quer que CCR invista em infra-estrutura no país

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa portuguesa Brisa, sócia da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), influirá para a empresa brasileira investir em projetos de infra-estrutura além das licitações de estradas no país, disse na sexta-feira o vice-presidente de Finanças da companhia européia, João Azevedo Coutinho, em entrevista por telefone.

Durante o Reuters Latin America Investment Summit, Azevedo Coutinho afirmou que a empresa concessionária, na qual a Brisa tem uma fatia de 17,90 por cento, deve diversificar seus interesses, assim como o grupo faz em Portugal.

Além de ser líder nacional em volume de tráfego no Brasil, a CCR, cujo controle a Brisa divide com as empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Serveng, participa apenas de um projeto do tipo atualmente: a linha amarela do metrô paulistano, com uma fatia de 58 por cento.

“A estratégia que a CCR vai ter no Brasil é muito semelhante à estratégia que a Brisa tem no seu próprio mercado”, afirmou o executivo na entrevista.

“Entendemos que temos de diversificar no nosso próprio mercado para outras infra-estruturas de transporte... Em Portugal, a Brisa já está participando da privatização do aeroporto de Lisboa e já mostramos interesse na linha de ferrovias de alta velocidade. A CCR deve ter uma estratégia semelhante”, completou ele.

Azevedo Coutinho afirmou que apesar da disposição da concessionária em diversificar os negócios, o foco continuará em rodovias, com especial atenção para as próximas licitações de estradas federais e paulistas. Hoje a CCR administra 1.452 quilômetros de rodovias nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

“Estamos atentos e temos interesse em tudo que for licitado”, disse o executivo, sem explicitar quais rodovias atraem mais interesse nem o tamanho dos investimentos que a CCR faria em meio à competição cada vez mais acirrada com a espanhola OHL, vice-líder do mercado nacional.

CONCORRÊNCIA

Apesar da derrota para a rival no leilão de concessões rodoviárias federais em outubro do ano passado, quando a OHL arrematou cinco de sete lotes, Azevedo Coutinho afirmou que a CCR não se incomoda com a concorrência maior, principalmente porque ficou com a jóia da coroa das licitações recentes: o trecho oeste do Rodoanel que contornará a capital paulista.

“A nossa posição é nos preocuparmos com nós próprios. Isso significa que nós não seremos mais agressivos porque a OHL foi mais agressiva”, disse o executivo, ao comentar a postura da empresa espanhola nos leilões federais, quando ofereceu deságio de até 65 por cento sobre o teto estabelecido pelo governo para um trecho da rodovia Fernão Dias.

“(Fomos agressivos no trecho oeste do Rodoanel porque) tínhamos alguma vantagem. As vias que a CCR opera no Estado de São Paulo têm ligação direta com o Rodoanel. Sempre haverá a chamada maldição do vitorioso, que será criticado”, disse.

O consórcio entre a CCR e um investidor estrangeiro arrematou o trecho por 1,1684 real pelo pedágio, enquanto a tarifa-teto imposta pelo governo paulista era de 3 reais.

O executivo afirmou também que a abertura do setor de infra-estrutura no Brasil ao capital estrangeiro tem sido “um pouco lenta, mas no sentido positivo, correto”.

Ele disse também que em toda a América Latina “a preferência para investimentos é no Brasil”, embora esteja de olho em oportunidades no México e no Chile.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below