6 de Agosto de 2008 / às 19:54 / em 9 anos

ANÁLISE-Reformas para crescimento de longo prazo estão paradas

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA, 6 de agosto (Reuters) - A economia brasileira cresce no ritmo mais acelerado em décadas, mas o governo está fazendo pouco progresso nas reformas para assegurar a competitividade de longo prazo do país.

“As reformas estão andando mais lentamente do que eu gostaria, há muito o que fazer”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, em entrevista à Reuters na terça-feira.

Com investidores sendo afugentados de outros países da América do Sul por nacionalizações e controles de preços, o Brasil parece um refúgio para o capital estrangeiro. Mas o país é assolado há tempos pela ineficiência, buracracia e corrupção.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem conseguido fazer avançar a reforma tributária --única proposta legislativa importante desde o começo de seu segundo mandato em janeiro de 2007.

Com muitos congressistas já em campanha para as eleições municipais de outubro, analistas afirmam que não deve haver progresso neste sentido ainda neste ano.

Equivalente a 38 por cento do Produto Interno Bruto, a carga tributária do Brasil é mais do que duas vezes a da Índia e China.

Lula também ainda não cumpriu sua promessa de campanha de reeleição de apertar as regras de financiamento eleitoral, tornando os pleitos mais representativos e aumentando a disciplina partidária para fortalecer a coalizão governante.

Quase dois anos depois, o governo afirma que irá apresentar uma prosposta nesse sentido nas próximas semanas. Mas seus próprios congressistas afirmam que as chances de um progresso são pequenas.

“A reforma política ficará para 2009. É muito difícil discuti-la com as eleições, a ressaca das eleições e precisando votar o Orçamento”, afirmou Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado.

‘COMPLACENTE’

A lista de propostas legislativas desenhadas para criar regras claras para investimentos também está travada no Congresso. Esta inclui leis para definir regras para o sistema de defesa da concorrência e para criar uma estrutura para investimentos na indústria de gás.

O presidente Lula também parece ter desistido completamente de seus projetos de revisar as regras do rígido e custoso mercado de trabalho do país e de abolir as contribuições obrigatórias para sindicatos e organizações de trabalhadores.

“O Brasil não está realizando a sua tarefa de casa. O crescimento econômico tornou o governo complacente”, afirmou Ricardo Ribeiro, analista político da empresa de consultoria MCM.

A economia cresceu 5,4 por cento no último ano e deve se expandir 5 por cento em 2008.

Para o governo, a descoberta de petróleo e uma série de vantagens comparativas na produção de papel e polpa, minério e outras indústrias estão atraindo investimento direto suficiente para impulsionar o crescimento econômico do Brasil nós próximos anos.

“Nós estamos crescendo mais do que 5 por cento anualmente. Nós não podemos estar tão longe do caminho certo”, afirmou Miguel Jorge.

Reportagem adicional de Fernando Exman

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below