7 de Maio de 2008 / às 14:08 / em 9 anos

IGP-DI em 12 meses permanecerá acima de 10%, diz FGV

SÃO PAULO (Reuters) - A alta do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna em abril elevou a inflação para um novo patamar e os IGPs devem oscilar acima dos 10 por cento até junho ou julho desse ano, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O economista da FGV Salomão Quadros disse que a taxa de 12 meses do IGP-DI de abril (10,24 por cento) é a mais elevada desde março de 2005. “O IGP-DI não é a meta de inflação, mas mostra os estágios da inflação... durante algum tempo ainda vamos permancer nessa faixa superior a 10 por cento. Estamos observando pressões que podem prosseguir.”

Ele se referiu à pressão de alimentos, insumos e commodities. “Quem tem contrato de aluguel vencendo nos próximos meses vai ser afetado. Contrato é igual a casamento. Tem a hora boa e a hora ruim”, brincou o economista.

No ano passado, os IGPs da FGV fecharam entre 7,5 e 8 por cento, mas Quadros considera “impossível” fazer uma previsão para esse ano devido às pressões externas sobre os preços.

PRESSÕES

A inflação pelo IGP-DI surpreendeu até a mais pessimista das previsões em abril e atingiu a maior taxa desde dezembro, a1,12 por cento, ante elevação de 0,70 por cento em março.

Economistas previam uma taxa de 0,83 por cento em abril, segundo a mediana de 16 projeções colhidas pela Reuters, que oscilaram de 0,77 a 0,91 por cento.

Pela primeira vez desde o início do ano, os alimentos não foram os únicos vilões da inflação medida pela FGV. Em abril, os produtos industriais tiveram mais peso.

Todos os três componentes do indicador aceleraram a alta, com destaque para o atacado. O Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 1,30 por cento em abril, ante alta de 0,80 por cento em março.

A contribuição dos industriais para o IPA foi de 0,35 ponto percentual enquanto que a parcela dos alimentos foi de 0,28 ponto percentual.

Segundo a FGV, itens como minério de ferro, produtos siderúrgicos, carvão mineral, fertilizantes e combustíveis pressionaram o IPA, além dos alimentos industrializados.

“Os preços internacionais estão subindo por conta da demanda mundial. Os custos desses produtos também estão subindo com o petróleo alto. A demanda brasileira também está aquecida”, disse Quadros.

Quadros destacou que a alta do minério de ferro ainda não foi totalmente captada pelo IGP-DI e o aumento na gasolina e no óleo diesel sequer foi medido pelo resultado de abril.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também subiu no mês passado, atingindo alta de 0,72 por cento. No mês anterior, o indicador tinha subido 0,45 por cento.

A principal pressão veio do grupo Alimentação, que reuniu as maiores elevações individuais de preços no varejo: mamão papaia, pão francês, tomate e leite longa vida.

Alguns desses itens são produtos in natura, prejudicados por conta de clima, enquanto outros contêm com ingredientes cotados internacionalmente, sendo que muitos vêm batendo recordes no exterior.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve alta de 0,87 por cento em abril, ante 0,66 por cento em março.

(Para mais informações sobre indicadores de inflação, consultar as páginas e )

Reportagem de Cláudia Pires, Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier

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