7 de Maio de 2008 / às 17:53 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Alerta do IGP não contamina, agora, cenário para IPCA

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A alta acima do esperado do IGP-DI acendeu uma luz amarela que deve ficar ligada por mais alguns meses, mas o alerta pára antes do fim da cadeia produtiva, o que significa que a cautela do Banco Central sobre a inflação ao consumidor não precisa ser elevada, neste momento.

Na avaliação de economistas ouvidos pela Reuters, os produtores brasileiros parecem estar conseguindo, ao menos por ora, segurar repasses ao varejo. Além disso, a queda do dólar no país, que deve ser acentuada com o grau de investimento, ajuda a conter os preços ao consumidor.

Zeina Latif, economista do ABN Amro Real, explicou que o avanço do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna --de 1,12 por cento em abril ante previsão do mercado de 0,83 por cento-- refletiu sobretudo um novo reajuste do minério de ferro e que isso manterá a taxa alta nos meses à frente.

“É difícil a gente enxergar um tremendo alívio dos IGPs logo, porque o minério de ferro ainda vai passar por toda a cadeia produtiva e isso dá uma resistência do índice em cair por um bom tempo. Os combustíveis também, vão aumentar e depois vão passar pela cadeia toda”, afirmou ela, referindo-se a impactos indiretos dos aumentos.

“Só que isso não será transferido para os IPCs (índices de preços ao consumidor)”, ressaltou ela.

Ou seja, o cenário para o dado que baliza o sistema de meta de inflação não muda, assim como as perspectivas para a Selic.

Embora alguns players apostem numa postura mais agressiva do BC, prevendo uma alta de 0,75 ponto percentual na próxima elevação da taxa básica Selic, o consenso ainda está um aumento de 0,50 ponto em junho.

BENS FINAIS COMPORTADOS

Zeina apontou os dados dentro do IGP-DI mostrando altas das Matérias-primas brutas --que incluem o minério de ferro-- e os Bens intermediários tiveram alta de quase 2 por cento cada, enquanto os Bens finais ficaram praticamente estáveis, avançando apenas 0,05 por cento.

Parte desse movimento pode ser explicado por bens finais importados mais baratos --por conta do dólar desvalorizado--, mas outra parte vem da dinâmica da própria economia doméstica.

”Especificamente no Brasil a indústria está conseguindo segurar os preços, porque a gente é produtor de uma maneira geral, então a gente tem a vantagem de obter alguns preços aqui dentro, e também porque a indústria está contrabalançando isso de outras formas“, como cortes de custos”, afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

“Se essas altas permanecerem, talvez lá na frente a gente veja alguns aumentos para o varejo, mas por enquanto não.”

Recentemente, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse que um mercado com “competição desenfreada” estava ajudando a contribuir para segurar os preços em um setor que vem batendo sucessivos recordes de vendas e produção e enfrenta fortes altas do aço.

Isso é mostrado pelos índices de preços: a alta dos valores dos veículos foi de 1,82 por cento nos últimos 12 meses até abril, período em que a inflação geral foi de 4,61 por cento.

Edição de Alexandre Caverni

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