7 de Março de 2008 / às 13:51 / 10 anos atrás

Empregos caem nos EUA e elevam temor de recessão

WASHINGTON (Reuters) - O número de empregos nos Estados Unidos caíram em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, na maior redução mensal em quase cinco anos, aumentando as preocupações de que a maior economia do mundo tenha caído em recessão.

“A pergunta parece não ser mais se nós vamos entrar em recessão mas sim por quanto tempo e quão forte ela será”, disse Joel Naroff, economista da Naroff Economic Advisors.

O Departamento do Trabalho afirmou nesta sexta-feira que 63 mil empregos fora do setor agrícola foram cortados no último mês acima dos cortes de janeiro revisados para 22 mil empregos.

A má notícia veio contra as expectativas dos economistas que esperavam a criação de 25 mil vagas em fevereiro.

O departamento ainda cortou pela metade o número de empregos criados em dezembro --de 82 mil para 41 mil-- em um movimento que ressaltou a deterioração no mercado de trabalho do país.

“As tendências ressaltadas são terríveis, com o pior ainda por vir”, disse Ian Shepherdson, economista do High Frequency Economics.

A Casa Branca mostrou seu desapontamento com o desanimador relatório de emprego. “Este trimestre será um trimestre difícil para a economia norte-americana. Nós estamos em um período de baixo crescimento na economia”, disse Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca.

“Isso confirma o temor que vem assombrando o mercado financeiro nas últimas semanas. A probabilidade de uma recessão está acima de 50 por cento”, disse Richard Dekaser, economista-chefe da National City Corp, em Cleveland.

“O Fed precisa ser mais agressivo”, acrescentou. O banco central norte-americano deve cortar os juros mais uma vez neste mês e, pouco antes da divulgação dos dados nesta sexta-feira, anunciou medidas para aumentar a liquidez nos fortemente pressionados mercados de crédito.

A sequência negativa de janeiro e fevereiro foi a primeira desde maio e junho de 2003.

Em fevereiro, a taxa de desemprego caiu de 4,9 por cento para 4,8 por cento, mas a baixa ocorreu por causa da redução do número de pessoas no mercado de trabalho. Segundo o departamento, essa queda foi de 450 mil pessoas no mês.

O fechamento de postos foi amplo. Cerca de 52 mil empregos foram encerrados na indústria, maior queda desde julho de 2003. O setor de construção eliminou 39 mil empregos, refletindo a crise no setor imobiliário.

O departamento informou que, desde o pico do mercado imobiliário em setembro de 2006, o setor de construção eliminou 331 mil empregos.

Em comunicado divulgado junto com o relatório, o encarregado pelo setor de estatísticas de trabalho do Departamento, Keith Hall, disse que boa parte dessas perdas pode levar um longo tempo para ser revertida.

“O aumento no desemprego nos últimos 12 meses foi concentrado entre pessoas que perderam o emprego e não têm expectativa de serem chamadas de volta”, afirmou.

O destaque positivo do relatório foi o governo, que criou 38 mil postos de trabalho em fevereiro, após a contratação de 4 mil pessoas em janeiro.

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