7 de Março de 2008 / às 18:43 / em 10 anos

ANÁLISE-Emprego fraco encerra debate sobre recessão nos EUA

Por Emily Kaiser

WASHINGTON (Reuters) - O segundo mês consecutivo de queda no nível de emprego encerrou o debate sobre se os Estados Unidos estão vivendo uma recessão. A pergunta agora é como sair dela.

“Apague a luz. A festa acabou. Estamos em recessão”, disse Joseph Brusuelas, economista da IDEAGlobal, em Nova York.

E não conte com as famílias, carregadas de dívidas, para devolver o crescimento ao país. Assim como os bancos, elas estão mais preocupadas em limpar o orçamento após sete meses de turbulência --ou seja, é improvável que abram a carteira.

Tudo isso se junta a um prolongado período de desalavancagem --palavra chique para redução de dívidas-- e talvez um tempo igualmente comprido de crescimento econômico abaixo da média.

Ainda que muitos economistas ainda acreditem que a economia vá se recuperar no segundo semestre deste ano com o efeito dos cortes dos juros e das restituições de impostos, alguns começaram a estimar o início da recuperação apenas em 2009.

A economia norte-americana fechou 63 mil postos de trabalho em fevereiro, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira. Em janeiro, a queda foi de 22 mil empregos e o crescimento de dezembro foi apenas a metade do que o anteriormente reportado.

Economistas viram notícias ruins até na queda da taxa de desemprego, de 4,9 para 4,8 por cento. Eles apontaram que isso ocorreu meramente por uma redução da força de trabalho, já que há mais pessoas que desistiram de procurar emprego.

O emprego é a chave para a economia norte-americana. Emprego significa pagamento, pagamento significa consumo e o consumo representa cerca de 70 por cento da economia.

“O debate não deve ser mais se há ou não uma recessão, e sim qual a profundidade dela”, disse Nigel Gault, economista da Global Insight, em Lexington, Massachusetts.

PAGUE DEPOIS

Os consumidores já estavam pressionados pela crise imobiliária e pelo aumento dos custos com energia e alimentos. Um relatório na quinta-feira mostrou que o nível de riqueza das famílias caiu pela primeira vez em cinco anos. A taxa de poupança tem ficado perto de zero por vários meses.

Com a turbulência no mercado de crédito levando bancos a restringir os padrões de concessão de crédito, os consumidores têm passado por maus momentos para conseguir hipotecas e financiamentos de automóveis, por exemplo. Isso sugere que as famílias vão reduzir gastos.

Houve apenas um pequeno ponto positivo no relatório de emprego. Um mercado de trabalho em dificuldades alivia as pressões inflacionárias, tornando mais fácil para o Fed reduzir taxas de juros.

O banco central já cortou os juros em 2,25 pontos percentuais desde setembro, e outra redução de pelo menos 0,5 ponto percentual é amplamente prevista para o próximo encontro, em 18 de março. O economista do Goldman Sachs Jan Hatzius disse que um corte emergencial, antes da reunião, não está fora de questão.

“É apropriado caracterizar a economia norte-americana como tendo ingressado em uma recessão no primeiro trimestre”, disse o economista-chefe do J.P. Morgan, Bruce Kasman.

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