7 de Fevereiro de 2008 / às 13:14 / em 10 anos

ESPECIAL-EMBRAER faz forte aposta em jatos executivos

Por Todd Benson

GAVIÃO PEIXOTO, São Paulo, 7 de fevereiro (Reuters) - Em uma espaçosa fábrica cercada de pomares de laranja e campos de cana-de-açucar, funcionários da Embraer estão dando os toques finais em um novo avião novo que colocará a empresa brasileira entre as principais fabricantes de aviões executivos.

O jato, o Phenom 100, é pequeno mas tem uma luxuosa cabine desenhada pela BMW Designworks que pode acomodar até oito pessoas. Com valor de tabela de 3 milhões de dólares, o avião é um pouco mais caro que modelos rivais nessa classe, mas tem o dobro da vida útil.

As entregas das primeiras unidades do Phenom 100 devem ocorrer no final deste ano. Uma outra versão ligeiramente maior, o Phenom 300, começa a ser entregue um ano depois. Apesar de ainda não estarem no céu, a procura pelas aeronaves tem sido intensa.

A Embraer (EMBR3.SA) já recebeu mais de 700 pedidos pelos dois aviões, ampliando sua carteira firme no segmento de aviação executiva para mais de 4,5 bilhões de dólares.

A fabricante espera que a área executiva represente 25 por cento da receita total da empresa em 2010, contra os 15 por cento atualmente.

“Eu não acredito que os concorrentes admitam que estão nervosos, mas eu tenho certeza que eles estão”, disse Nigel Moll, editor da Aviation International News, revista da indústria aérea especializada no segmento executivo.

A Embraer está se beneficiando da crescente demanda por aviões executivos, como as rivais, por exemplo, Gulfstream e Cessna.

Da rica região petrolífera do Oriente Médio a mercados emergentes em crescimento como Brasil e Rússia, milionários e grandes corporações estão comprando os aviões executivos da Embraer. Apenas na feira de aviação de Dubai, em novembro, a fabricante brasileira recebeu 623 milhões de dólares em encomendas de 51 jatos executivos.

Ainda assim, a Embraer enfrenta obstáculos. A carteira de pedidos no segmento cresceu tanto que um novo cliente precisa esperar até cinco anos para receber um Phenom 100 e seis anos para ter em mãos um Phenom 300. Felizmente para a Embraer, os compradores devem enfrentar esperas similares em outros fabricantes.

“As carteiras de pedidos são enormes em toda a indústria”, disse Ronald Epstein, um analista do Merrill Lynch em Nova York. “Esta é a realidade da indústria hoje.”

Porém, um desafio ainda maior pode ser a desaceleração norte-americana, que muitos acreditam estar caminhando para uma recessão. O mercado dos Estados Unidos é o maior do mundo na aviação executiva, que por sua vez é refém dos caprichos da economia.

Ainda assim, a Embraer e analistas da indústria afirmam que o nicho de aviação executiva está menos sensível a desacelerações econômicas do que em outros tempos.

“Os jatos executivos deixaram de ser vistos como um item de luxo e passaram a ser uma ferramenta crucial para os negócios no mundo globalizado”, disse o vice-presidente de aviação executiva da Embraer, Luís Carlos Affonso.

NOVATA NO MERCADO

A Embraer é recém-chegada na indústria da aviação executiva. Fundada em 1969 pelo governo brasileiro para fabricar aviões de patrulha e treinamento militar, a empresa foi privatizada em 1994 após ter sido dominada por prejuízos, quando alterou seu foco para a aviação regional.

Em poucos anos, a Embraer abocanhou metade do mercado global de aviões de 50 lugares, competindo com a canadense Bombardier BBDb.TO. Em 1998, a Embraer identificou outra oportunidade no segmento comercial e começou a trabalhar em uma nova família de aeronaves para transportar de 70 a 120 passageiros.

Mas o sucesso na aviação comercial também deixou a Embraer vulnerável a repentinas crises no mercado aéreo, como a ocorrida após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. No ano seguinte, a Embraer começava a testar sua sorte no mercado de aviação executiva, em um esforço para diversificar suas receitas.

Seu primeiro modelo foi o Legacy 600, na categoria de jatos super-médios, com capacidade para até 16 pessoas. Em 2005, com as vendas do Legacy crescendo, a Embraer decidiu expandir sua atuação na área e apresentou a família Phenom.

“No mercado de jatos executivos, eles são são novos no pedaço”, disse Epstein, do Merrill Lynch. “Mas eles também são uma fabricante de aviões muito bem posicionada. Eles sabem como fazer as coisas muito bem.”

Outros modelos também estão sendo trabalhados. Em maio de 2006, a Embraer revelou o Lineage 1000, jato executivo baseado na plataforma do avião comercial Embraer 190 com as primeiras entregas previstas para o final deste ano. A empresa se prepara ainda para lançar dois novos modelos com tamanhos entre o Phenom 300 e o Legacy 600.

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