8 de Abril de 2008 / às 13:05 / em 10 anos

Construção civil e varejo devem elevar demanda por cobre no país

Por Marcelo Teixeira

SANTIAGO, 8 de abril (Reuters) - A demanda por cobre no Brasil deve continuar aquecida em 2008, depois de forte crescimento em 2007, devido ao desenvolvimento do setor de construção civil e às fortes vendas de eletrodomésticos e carros, disseram traders e representantes de minas chilenas de cobre.

Os três setores acima são os que mais demandam o metal básico no setor produtivo e fizeram o consumo de cobre crescer de 10 a 15 por cento em 2007, segundo operadores.

Com a economia brasileira crescendo 6,2 por cento no último trimestre do ano passado, contra igual período há um ano, os participantes do comércio de cobre esperam um 2008 tão forte ou mais intenso.

As vendas de materiais de construção subiram 8,5 por cento no primeiro trimestre deste ano, contra o primeiro tri de 2007, e segundo o IBGE as vendas de eletrodomésticos aumentaram 16 por cento em janeiro na comparação com igual mês do ano passado.

Já o comércio de automóveis bateu recorde trimestral no início de 2008, com 648 mil unidades vendidas, volume 31 por cento maior que o visto de janeiro a março de 2007.

“Nós tivemos um ótimo 2007 para as vendas de cobre no Brasil e certamente teremos um bom 2008”, disse à Reuters José Dayller, que representa comercialmente a gigante estatal chilena Codelco no Brasil. Ele participa nesta semana de uma conferência mundial sobre cobre, em Santiago.

“O carro-chefe do crescimento do consumo de cobre no país é o setor de construção civil, estimulado por algumas medidas do governo, e as fortes vendas de eletrônicos e de veículos colaboram”, disse Dayller, que também vende produtos de outra estatal chilena de cobre, a Enami.

O Brasil tradicionalmente importa a maior parte do cobre que consome, tanto na forma de concentrado, que é trabalhado por indústrias locais, como em catodos (placas) e vergalhões.

Projetos recentes como o da mina de Salobo, da Vale (VALE5.SA), estão elevando a produção local, mas operadores afirmam que ela não deverá mudar o panorama para as importações, pelo menos no curto prazo.

Quase a totalidade do cobre que chega ao Brasil vem do Chile, o maior produtor mundial, e do Peru, parceiros de Mercosul que desfrutam de tarifa zero para exportar ao Brasil.

SALTO NA DEMANDA

Ricardo Romero, que vende cobre no Brasil para as companhias Antofagasta (minas El Tesoro e Michilla) e Barrick Gold (Compania Minera Zaldivar), estima que a demanda por catodos e vergalhões de cobre no Brasil possa alcançar 250 mil toneladas em 2008, ante aproximadamente 190 mil toneladas em 2007.

Segundo ele, companhias como as produtoras de cabos Prysmian e a PPE Cabos, assim como a Termomecânica, que produz tubos e conexões para construção civil, vão continuar elevando os volumes de importação.

“Tivemos um aumento de aproximadamente 15 por cento nas vendas no ano passado e possivelmente cresceremos mais em 2008”, afirmou.

Caio Gelfi, gerente comercial da Sertrading SA, diz que políticas governamentais para expandir as linhas de transmissão de energia são um fator positivo extra no mercado.

“Há muito investimento na ampliação do sistema elétrico”, diz Gelfi, que tem a Southern Copper como uma das principais fornecedoras.

Ricardo Romero acredita que em breve o Brasil, com a elevação da produção local de cobre, atuará nos dois lados do mercado, importação e exportação, em volumes importantes.

“A mina de Salobo é distante dos centros consumidores e a Vale só produz concentrado de cobre. Eles deverão exportar grande parte da produção”, afirmou.

Salobo fica no Pará, enquanto o Sudeste do país é a grande região de consumo de produtos de cobre.

Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o Brasil possui reservas de 15,4 milhões de toneladas de cobre, cerca de 3 por cento do total de reservas no mundo, e a produção local cresceu de 148 mil toneladas em 2006 para 200 mil toneladas em 2007.

Além da Vale, com cerca de 60 por cento da produção, também possuem atuação importante em cobre no Brasil a Mineração Maracá (controlada pela canadense Yamana Gold) e a Mineração Caraíba.

Romero acrescenta outro fator como sendo positivo para o setor de cobre no longo prazo, a Copa do Mundo de 2014.

“Teremos muito investimento em estádios, infra-estrutura de transporte, hotéis, etc. Esses tipos de projetos demandam bastante cobre.”

Reportagem de Marcelo Teixeira; Edição de Roberto Samora

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