7 de Janeiro de 2008 / às 15:19 / em 10 anos

Corrida presidencial nos EUA pode aumentar riscos econômicos

Por David Morgan

<p>Hillary Clinton, uma das candidatas a concorrer &agrave; presid&ecirc;ncia dos EUA pelo partido democrata, deixa sala ap&oacute;s participar de entrevistas em New Hampshire. Photo by Brian Snyder</p>

WASHINGTON (Reuters) - Será que a corrida presidencial nos Estados Unidos pode ser ruim para a economia mundial?

Essa é uma possibilidade a ser levada em conta, de acordo com alguns especialistas, que acreditam que um novo clima de isolacionismo norte-americano pode emergir do descontentamento do eleitorado com as questões econômicas e a retórica que tem sido produzida a partir delas.

Da condenação do democrata John Edwards à “ganância corporativa” até os apelos do republicano Mike Huckabee, os analistas dizem que a campanha para as eleições de novembro está ganhando força com as incertezas que os norte-americanos comuns cada vez mais enfrentam no mundo impessoal da globalização.

“A globalização tem tido um impacto significativo no otimismo geral sobre a economia e sobre a confiança no futuro. Ela está dando às pessoas a sensação de que sua rede de segurança está sendo rasgada”, disse Norman Ornstein, analista político do American Enterprise Institute, de orientação mais conservadora.

O resultado tem sido uma longa lista de ansiedades no eleitorado, como o fechamento de empregos industriais, a estagnação da renda, a insatisfação com a assistência médica, a imigração ilegal e o perigo das importações chinesas.

“Estamos hoje pagando o preço pela promoção excessiva da globalização: o fato de aqueles que impulsionaram a globalização em ambos os partidos não estarem dispostos a encarar os riscos e tomar medidas para mitigá-los”, disse o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz.

“Isso também é em parte uma consequência do fracasso da administração Bush em trazer padrões regulatórios adequados em uma série de áreas.”

A piora na confiança dos norte-americanos pode resultar na redução do papel dos Estados Unidos no mercado global se os eleitores começarem a pedir mudanças no curso econômico, dizem analistas.

A Eurasia Group, firma de consultoria sediada em Nova York, colocou nesta segunda-feira a resistência norte-americana à globalização como o maior risco político para os mercados globais em 2008 --superando Irã, Iraque e o terrorismo.

A empresa, que avalia os riscos políticos para seus clientes, alertou que a retórica da campanha pode contribuir para um aumento dramático do sentimento protecionista nos Estados Unidos caso ocorra uma grande recessão.

“O que estamos vendo é que há um benefício (eleitoral) no filão populista e neo-isolacionista”, disse o presidente da Eurasia, Ian Bremmer.

“Vamos ver o tipo mais forte de populismo em pessoas como John Edwards. Mas também vamos ter isso nas campanhas de Huckabee e de Ron Paul”, acrescentou.

Especialistas dizem que o descontentamento do eleitorado, sozinho, não deve forçar uma virada significativa para o protecionismo. Mas ele pode diminuir a disposição dos políticos com novos acordos comerciais.

A campanha já teve vários discursos sobre os perigos do comércio feitos por democratas, incluindo Hillary Clinton, que prometeu revisar todos os pactos comerciais existentes.

Mas Stiglitz avalia que os democratas provavelmente diminuiriam o descontentamento popular ao reconstruir o sistema de seguridade social com a reforma da saúde e outras iniciativas.

“Eu vejo o perigo na direita”, comentou, explicando que uma continuação das políticas conservadoras na economia pode aumentar ainda mais o descontentamento. “Se você continuar no rumo definido pelo Bush, você vai ter uma reação.”

Ornstein concorda que uma deterioração dramática da economia pode aumentar as chances de uma virada ao protecionismo.

“Você pode ter o desenvolvimento de uma guerra comercial. E você pode ter países como a China ficando nervosos o bastante para tomar medidas contra nós”, disse.

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