7 de Outubro de 2008 / às 10:07 / 9 anos atrás

RPT-SADIA esquece nova sede, chama Furlan e busca se levantar

(Repete matéria publicada na noite de 2a-feira)

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO, 7 de outubro (Reuters) - A Sadia, uma das maiores empresas no setor de alimentos no Brasil, fez alguns movimentos nesta segunda-feira buscando se recuperar após pesadas perdas no mercado financeiro e chamou o ex-ministro Luiz Fernando Furlan para comandar esse processo.

Furlan, que foi presidente do conselho da Sadia SDIA4.SA por quase dez anos até aceitar convite para participar do governo federal, em 2002, vai comandar a empresa nas mesmas instalações na Vila Anastácio, em São Paulo, já que os planos para uma mudança da sede para um novo edifício construído pela WTorre na Marginal Pinheiros foram cancelados.

“Vamos continuar aqui na velha e boa Vila Anastácio”, afirmou Furlan em sua primeira entrevista no cargo, em substituição a Walter Fontana Filho, que apresentou sua carta de renúncia em reunião extraordinária do conselho nesta segunda-feira e convidou Furlan para assumir.

“Walter estava em um momento de grande estresse e turbulência e me pediu que assumisse. Eu aceitei substituí-lo”, afirmou Furlan.

A Sadia reconheceu no dia 25 de setembro uma perda de 760 milhões de reais com operações no mercado financeiro e recorreu a empréstimos bancários de curto prazo para garantir o fluxo de caixa.

A empresa informou que a área financeira extrapolou os limites de sua política interna em operações com futuros e opções cambiais, principalmente.

Furlan afirmou que a consultoria KPMG deverá concluir até o final da semana que vem um estudo sobre o que exatamente ocorreu na empresa.

“O que se pode antever é que efetivamente houve uma transgressão das regras e algum tipo de conivência das pessoas que tinham conhecimento das operações e evitaram que elas pudessem chegar ao conhecimento do conselho”, disse o ex-ministro.

“Eu sei que é um momento sensível, mas a minha crença total é que o pior, para a Sadia, já passou. Os dirigentes tiveram uma atitude corajosa de dar transparência sobre o problema, foi a primeira a fazê-lo”, disse ele.

“É possível que muitas empresas tenham pensado que o tempo resolveria o problema, mas o tempo agravou o problema”, acrescentou o ex-ministro, ressalvando que falava apenas “hipoteticamente” e que não tinha idéia sobre se outras empresas passavam por situações como a da Sadia.

Walter Fontana Filho estava à frente do conselho da Sadia desde 2005, mas antes disso havia sido presidente-executivo de 1994 a 2005.

Furlan, que à frente do ministério deu fôlego ao setor exportador brasileiro, disse que vai passar por uma “imersão” para atualizar-se sobre a empresa, mas adiantou que não pretende mudar muitas das decisões sobre investimentos, já que vários deles estão em fase final.

Ele admitiu que terá muitas dificuldades pela frente.

“Estou reassumindo responsabilidades que eu já havia até esquecido como eram... é um momento em que estou sentindo o peso da mochila nos ombros. Felizmente eu tive um momento depois que eu saí do governo de me exercitar com um personal trainer, de fazer aulas de tênis”, afirmou.

“Tinha aula amanhã de manhã e já não vou. E paguei o mês de outubro adiantado.”

Edição de Fabio Murakawa

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