8 de Novembro de 2007 / às 10:33 / em 10 anos

PANORAMA1-Depoimento de Bernanke deve ter tom duro

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 8 de novembro (Reuters) - Investidores que gostariam de indicações de um corte do juro norte-americano no discurso do chairman do Federal Reserve ao Congresso nesta quinta-feira podem se frustrar. Bernanke deve dizer que uma desaceleração modesta é insuficiente para levar a outros cortes da taxa.

O chairman do Fed presta depoimento diante do Comitê Conjunto de Economia do Congresso às 13h (horário de Brasília), e deve enfrentar duro questionamento por parte dos parlamentares sobre como o banco central está tratando as renovadas preocupações com crédito que liquidaram bilhões de dólares em lucros de bancos e tiraram dois importantes presidentes de renomadas instituições de Wall Street de seus cargos.

Muitos investidores estão desconsiderando dados que sugerem que a economia está bem e pedindo mais cortes de juros para prevenir o que temem ser uma desaceleração inevitável devido às condições mais apertadas de crédito.

Refletindo a visão do BC de que um crescimento menor nos últimos três meses do ano já está precificado pela política monetária, o presidente do Fed da Filadéfia, Charles Plosser, disse recentemente que seria necessário um crescimento muito menor para que ele apoiasse outra redução.

O diretor do Fed Frederic Mishkin disse na segunda-feira que “pressões inflacionárias indesejáveis” podem aparecer quando bancos centrais agem de forma muito agressiva para evitar desacelerações, acrescentando que os BCs precisam estar preparados para reverter o curso.

O economista do Goldman Sachs Jan Hatzius disse que esses comentários preparam o cenário para o depoimento de Bernanke, que deve enfatizar equilíbrio entre preocupações com inflação e ameaças ao crescimento, à medida que a economia se curva à recessão do mercado imobiliário.

“Mesmo Mishkin --que tem ficado à frente do Fomc na defesa de cortes-- fez discurso imparcial... sem indicações sobre novos cortes, e o chairman Bernanke deve seguir com comentário similar”, escreveu Hatzius em nota a clientes.

Mas o alerta do Citigroup (C.N) de que pode registrar baixa contábil de até 11 bilhões de dólares ligados a hipotecas de riscos fortalecem as expectativas de Wall Street de novo corte.

“Os mercados financeiros estão tentando fazer o Fed reduzir o juro mais uma vez, mesmo que o Fed tenha sido claro de que faria uma pausa e esperaria por informações que provassem que estava errado”, disse Eugenio Aleman, economista-sênior da Wells Fargo, em relatório.

O depoimento de Bernanke será o principal evento do dia. Na zona do euro e na Grã-Bretanha há decisão sobre juro, mas não há expectativa de surpresas.

No Brasil, O IPC-S ganha mais destaque que o normal, pois é o primeiro índice de novembro depois que alguns indicadores de outubro superaram estimativas. O indicador abriu o mês com alta de 0,17 por cento, levemente acima dos 0,13 por cento registrados no fechamento de outubro. Mais uma vez, os alimentos foram o destaque de alta. [ID:nN08623809]

Enquanto isso, a temporada de resultados continua à toda força. Esta quinta conta com Unibanco UBBR11.SA, AmBev AMBV4.SA e Usiminas (USIM5.SA).

A AmBev teve lucro líquido de 589,8 milhões de reais no terceiro trimestre, um aumento de 21,3 por cento em relação ao resultado apurado no mesmo período do ano passado. [ID:nN08619354]

O Unibanco fechou o penúltimo trimestre do ano com um lucro recorrente de 667 milhões de reais, ante lucro de 566 milhões de reais no mesmo período de 2006. [ID:nN08623178]

Para ler a agenda do dia, clique [ID:nN08547711]

Veja como encerraram os principais mercados nesta quarta-feira:

CÂMBIO BRBY

O dólar terminou a 1,741 real, em alta de 0,29 por cento.

BOLSA .BVSP

O Ibovespa fechou em queda de 1,55 por cento, a 63.500 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,9 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS .BR20

O índice de principais ADRs brasileiros recuou 3,84 por cento, aos 36.257 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) subiram na BM&F. O DI janeiro de 2009 fechou a 11,51 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 fechou a 11,79 por cento.

GLOBAL 40 BRAGLB40=RR

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, declinava para 133,6 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,6 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS 11EMJ

No final da tarde, o risco Brasil subia 7 pontos, a 191 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 210 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones .DJI fechou em forte queda de 2,64 por cento, a 13.300 pontos. O Nasdaq .IXIC caiu 2,70 por cento, para 2.748 pontos. O índice S&P 500 .SPX teve desvalorização de 2,94 por cento, aos 1.475 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS US10YT=RR

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia e o rendimento declinava para 4,3 por cento no final da tarde.

Reportagem adicional de Angela Bittencourt e Silvio Cascione

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