23 de Outubro de 2007 / às 02:30 / em 10 anos

ANÁLISE-Desempenho de ação da VALE reduz espaço para mais alta

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 8 de outubro (Reuters) - Investidores parecem já ter embutido no valor de mercado da Companhia Vale do Rio Doce suas apostas para o aumento do minério de ferro em 2008 e fazem as contas sobre o preço justo para as ações da mineradora, embora ainda não exista consenso sobre o percentual do reajuste da commodity.

As ações da Vale (VALE5.SA) (VALE3.SA) representam mais de 10 por cento do principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo e, por isso, qualquer oscilação dos papéis da mineradora é acompanhada de perto.

No início da semana passada, investidores correram para se desfazer dos papéis da Vale, que acumulam valorização de cerca de 90 por cento no Brasil, depois que o JP Morgan reduziu sua recomendação por considerar o desempenho das ações da empresa em setembro “simplesmente extraordinário”.

Nesta segunda-feira, o UBS cortou a indicação para os papéis da mineradora de “compra” para “neutra”, embora tenha elevado o preço-alvo. Os analistas da corretora vêem pouco espaço para valorização adicional das ações da Vale e consideram que o aumento do minério em 2008 já está precificado.

Analistas falam de reajuste a partir de 20 por cento no minério no ano que vem. No caso do UBS Pactual, a expectativa é de alta de 35 por cento no preço da commodity em 2008 e de outros 5 por cento em 2009.

Pelos cálculos do banco, cada 10 por cento de alta no minério aumenta o preço-alvo dos American Depositary Receipts (ADRs) da Vale em 0,25 dólar, enquanto cada 1 dólar por libra-peso a mais no preço do níquel adiciona 0,08 dólar ao valor justo para o papel da companhia.

A Vale é a maior produtora mundial de minério de ferro e a segunda maior de níquel.

No dia 3, o relatório do JP Morgan cortando Vale fez as preferenciais da empresa negociadas na Bovespa despencarem quase 8 por cento em uma única sessão.

Um dia antes, contudo, o analista Alexander Hacking, do Citigroup, elevou o preço-alvo dos ADRs da Vale, com recomendação de compra.

Hacking, sem apontar um percentual esperado para o aumento do minério, disse que o preço à vista da commodity no mercado indiano subiu 30 por cento em setembro, e que o produto da Vale --de maior qualidade-- teria que ser reajustado em 90 por cento em 2008 para alcançar paridade.

A forte expansão da economia global nos últimos anos, com destaque para a China, permitiu expressivos aumentos no preço do minério, diante do crescimento da demanda por aço. Em 2005, por exemplo, a alta foi de 71,5 por cento.

O analista Rodolfo R. De Angele, do JP Morgan, acredita ser improvável um reajuste como o observado há dois anos e aposta em aumento de 25 por cento no minério no ano que vem.

Para o JP Morgan, o preço da ação da Vale já embute aumento de 35 a 55 por cento do minério em 2008, enquanto o UBS Pactual estima que o valor de mercado da Vale já inclui reajuste de 40 por cento na commodity em 2008.

CORRETORAS NACIONAIS

Entre as casas nacionais, a Planner Corretora elevou nesta segunda-feira o preço-alvo para as preferenciais da Vale de 45,49 reais para 62,70 reais, e manteve a recomendação de compra. A Planner prevê agora alta de 20 por cento do minério em 2008, ante estimativa anterior de aumento de 5 por cento.

A Brascan Corretora alterou em 4 de outubro sua recomendação para as ações da Vale para “outperform”, em função da forte queda no início do mês, seguindo o relatório do JP Morgan. O analista Rodrigo Ferraz, da Brascan, vê preço justo de 58,90 reais para os papéis preferenciais da companhia na Bovespa.

A corretora Fator voltou a incluir as ações da Vale em sua carteira de grandes empresas recomendada para outubro, após o forte desempenho dos papéis em setembro, quando avançaram quase 30 por cento.

“Continuo ‘underweighted’ (desempenho abaixo da média do mercado) em mineração e siderurgia, mas voltei a incluir (as ações preferenciais) VALE5... em função do bom momento das commodities”, afirmou a estrategista da corretora Fator, Lika T. Takahashi, em relatório no dia 1o.

As conversas sobre o preço do minério começam no final do ano, com definição, normalmente, em meados do segundo trimestre do exercício seguinte. Este ano, a Vale se antecipou ao definir em dezembro com a siderúrgica chinesa Baosteel o patamar de preços --aumento de 9,5 por cento. Em 2006, a alta havia sido de 19 por cento.

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