8 de Maio de 2008 / às 17:48 / 10 anos atrás

China e Indonésia rejeitam sugestão francesa sobre Mianmar

Por Louis Charbonneau

<p>Pessoas removem destro&ccedil;os deixados pela passagem do ciclone Nargis em Yangon. Os Estados Unidos continuam esperando a aprova&ccedil;&atilde;o de Mianmar para come&ccedil;ar a enviar ajuda em avi&otilde;es militares &agrave;s v&iacute;timas do ciclone Nargis. Photo by Stringer</p>

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A China e a Indonésia rejeitaram na quinta-feira a idéia da França de usar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para pressionar Mianmar, país recentemente devastado por um ciclone, a fim de permitir a entrada de equipes de ajuda humanitária em seu território.

Os EUA ainda esperam a junta militar que controla Mianmar autorizar aviões militares a levarem suprimentos até ali. Mas a agência de alimentos da ONU e a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho conseguiram finalmente autorização para dar início à remessa de material de ajuda. Diplomatas afirmam que os avanços ocorrem de forma excessivamente lenta.

A França sugeriu invocar a “responsabilidade de oferecer proteção” da ONU quanto a esse fechado país do sudeste asiático a fim de entregar suprimentos sem a aprovação do governo.

A proposta de acionar o Conselho de Segurança, no entanto, viu-se rejeitada na quarta-feira pela China, pelo Vietnã, pela África do Sul e pela Rússia.

Os enviados chinês e indonésio junto à ONU criticaram a eventual politização da crise e rejeitaram as sugestões divulgadas por meios de comunicação sobre Mianmar estar dificultando as ações das equipes de ajuda ao não conceder vistos de entrada.

“Acreditamos haver outros fóruns mais adequados para discutir a dimensão humanitária da situação de Mianmar”, afirmou o embaixador indonésio na ONU, Marty Natalegawa, antes de um encontro do Conselho de Segurança.

“Já há uma prontidão da parte de Mianmar para abrir-se à ajuda”, disse.

O embaixador da França junto à ONU, Jean-Maurice Ripert, prometeu que tentaria na quinta-feira, mais uma vez, convencer o Conselho de Segurança a intervir para tentar ajudar as pessoas afetadas pelo ciclone de sábado que, segundo estimativas, já chegam perto de 1 milhão.

O vice-representante permanente da China na ONU, embaixador Liu Zhenmin, deixou claro que seu país, que possui poder de veto dentro do Conselho de Segurança, opunha-se a qualquer medida do tipo.

“Mianmar enfrenta um desastre natural. Essa não é uma questão a ser tratada pelo Conselho de Segurança.”

Diplomatas ocidentais reconheceram que seria difícil convencer os outros membros do órgão a aprovar o envolvimento dele no assunto.

Rádios e TVs oficiais de Mianmar, principais fontes de informação sobre o número de vítimas do ciclone, divulgaram uma cifra de mortos de 22.980 e de 42.119 desaparecidos, além de 1.383 feridos. Esse foi o pior ciclone ocorrido na Ásia desde 1991, quando um fenômeno do tipo matou 143 mil pessoas em Bangladesh.

Um diplomata norte-americano em Mianmar afirmou que diplomatas recebiam informações sobre a possibilidade de o número de mortos chegar a 100 mil.

A ONU afirmou ter recebido permissão de enviar provisões para o país asiático, mas ressaltou que os membros das equipes de ajuda ainda aguardavam por vistos.

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