8 de Maio de 2008 / às 12:31 / em 10 anos

Resultado da InBev decepciona com queda de vendas no Brasil

Por Philip Blenkinsop

BRUXELAS (Reuters) - A cervejaria belga InBev, segunda maior do mundo em volume, divulgou balanço trimestral com lucro abaixo do esperado, impactada por queda de vendas no Brasil e alta nos custos com commodities. A empresa, porém, previu um segundo trimestre melhor que o anterior.

As ações da InBev despencavam 5 por cento às 9h10 (horário de Brasília). A fabricante das cervejas Stella Artois, Beck’s e Brahma, informou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 982 milhões de euros (1,52 bilhão de dólares), contra 962 milhões de euros um ano antes, um aumento de 0,7 por cento.

A previsão de oito analistas consultados pela Reuters era de 1,06 bilhão de euros.

As vendas em volume no mundo caíram 0,4 por cento apesar da receita ter aumentado 4,8 por cento, para 3,2 bilhões de euros. Analistas previam faturamento de 3,23 bilhões de euros.

“Obviamente não estamos orgulhosos com os resultados do primeiro trimestre”, afirmou o vice-presidente financeiro, Filipe Dutra, durante conferência.

“Sabíamos que o primeiro semestre e especialmente o primeiro trimestre seriam difíceis... mas o volume foi pior que o esperado principalmente por conta dos números da indústria no Brasil.”

No Brasil, as vendas em volume caíram devido à inflação de 11 por cento nos alimentos clima mais frio e chuvoso, informou a InBev.

No leste europeu, outro mercado chave para o crescimento no ano passado, o volume cedeu 5,7 por cento, principalmente por conta do fornecedores russos, que preferiram estocar antes do aumento de preços em janeiro.

A empresa, que descreveu 2008 como mais desafiador que os últimos três anos, afirmou que deve enfrentar condições parecidas no segundo trimestre, mas que o crescimento de suas margens Ebitda deve ser retomado no segundo semestre.

A empresa está confiante de que o mercado brasileiro voltará a crescer no resto do ano.

Damien Caucheteux, analista da Petercam, informou que a fraqueza no setor de consumo do Brasil por causa da inflação dos alimentos, mencionada pela InBev, e custos maiores de insumos são causa de preocupação.

“Eles estavam muito otimistas comparado com seus rivais no setor. Agora eles dizem que os custos serão 5 a 6 por cento maiores. O plano de economia deles já está maduro. Está ficando mais difícil encontrar novas economias”, afirmou o analista.

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