8 de Maio de 2008 / às 19:18 / em 9 anos

Participação privada em urânio pode ficar restrita à prospecção

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 8 de maio (Reuters) - Mesmo que o governo decida pela quebra do monopólio na exploração de urânio no país, a participação da iniciativa privada deverá ser limitada à prospecção, avaliou nesta quinta-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Ele informou que um grupo interministerial coordenado pela Casa Civil está elaborando uma proposta ampla do programa nuclear, que incluiria aplicações medicinais além das energéticas, mas que não há prazo para sua finalização.

"A entrada da iniciativa privada é uma possibilidade, mas só para prospecção", afirmou o executivo.

A Vale (VALE5.SA) e outras mineradoras já manifestaram publicamente o interesse de participar da exploração de urânio no país, atualmente monopólio da União. Por outro lado, o governo precisa ganhar escala na produção de urânio para atender ao seu programa de expansão de energia nuclear, que inclui cerca de 8 usinas nucleares até 2030, de 1 mil megawatts de capacidade cada, além de Angra 3, que está em processo de construção e terá potência de 1.350 megawatts.

O preço do urânio disparou nos últimos anos com o aumento de projetos nucleares no mundo. Há quatro anos o mineral custava cerca de 12 dólares por libra e hoje gira em torno dos 120 dólares.

A primeira experiência de parceria entre a iniciativa privada e o governo brasileiro no segmento será testada este ano com a licitação da mina de Santa Quitéria, no Ceará, onde o urânio está associado a um grande volume de fosfato. Concorrem pelo direito de ficar com o fostato Vale, Bunge e a mineração Galvani.

O anúncio do resultado será feito no final deste mês, de acordo com a assessoria da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). No momento, o processo passa pela fase de avaliação técnica. "A licitação já foi concluída, mas só depois da avaliação técnica poderemos anunciar o vencedor", disse o assessor à Reuters.

A mina deverá produzir 120 mil toneladas anuais de fosfato e 800 toneladas de urânio em 2012.

O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e segundo analistas do setor poderia estar melhor posicionado se quebrasse o monopólio.

Nas especulações sobre as mudanças que poderão ser feitas está a criação de uma nova Nuclebrás, extinta no governo Fernando Henrique Cardoso com a criação da INB e da Eletronuclear. A quebra do monopólio ou apenas parcerias esporádicas como a de Santa Quitéria também estão sendo estudadas.

"Hoje já tem gente que defenda a tese de reunir as empresas para o setor ganhar mais força e assim conseguir quebrar o monopólio", disse uma fonte que preferiu não ser identificada.

Edição de Marcelo Teixeira

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